Militares atiraram mais de 240 vezes em ação que matou músico e catador

Dos disparos, 83 atingiram o veículo, matando o músico Evaldo Rosa, que estava ao volante, e o catador Luciano Macedo, que tentava socorrê-lo. Somente o segundo tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo atirou 77 vezes

Por ADRIANO ARAÚJO

Carro foi atingido por 83 tiros
Carro foi atingido por 83 tiros -
Rio - Os militares envolvidos no fuzilamento do carro de uma família em Guadalupe, na Zona Norte, atiraram 241 vezes com fuzis durante o ataque. Dos disparos, 83 atingiram o veículo, matando o músico Evaldo Rosa, que estava ao volante, e o catador Luciano Macedo, que tentava socorrê-lo. Somente o segundo tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo atirou 77 vezes.
Os dados do laudo pericial estão no Inquérito Policial Militar (IPM) e foram revelados pela ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, do Superior Tribunal Militar (STM), durante o julgamento do habeas corpus pedido pela defesa dos nove militares presos. A sessão foi adiada após pedido de vistas dos autos feito do ministro José Barroso Filho, que disse não conhecer a totalidade dos mesmos.
Os militares preso pelo crime são o segundo tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, o terceiro sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva e soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vítor Borges de Oliveira. Eles são lotados no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar.
Cinco ministros já tinham votado, quatro deles a favor da concessão do habeas corpus. A ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha foi a única a defender a manutenção da prisão dos militares.
"É injustificável esse veículo ser alvejado por 83 balas de fuzil quando já havia parado completamente e não disparava contra a guarnição. É injustificável sobretudo porque os acusados não estavam em exercício da garantia da lei e da ordem, faziam apenas a segurança na área militar (...) Eles só poderiam ter atuado se o quartel ou os próprios tivessem sido atacados, o que não ocorreu. Investirem eles no papel de polícia, sem respaldo legal, para atuarem num suposto crime patrimonial é ilegal e inconstitucional", disse, durante a leitura das peças do IPM.
"Analisando os documentos anexados ao processo, tem-se unicamente a versão reverberada pelos militares no sentido de que estariam sendo alvejados", questionou a ministra. Ela completou. "Só após a repercussão dos fatos e do pronunciamento de testemunhas e sobreviventes junto ao Ministério Público, é que a versão apresentada pelos militares foi desmentida, comprometendo a credibilidade do próprio Comando Militar, que a apresentou à sociedade num primeiro momento para desmenti-la depois", disse a Ministra. 

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