Militares prestam homenagem a um dos três jovens mortos
Militares prestam homenagem a um dos três jovens mortosReprodução
Por O Dia
Rio - Soldados fardados prestaram homenagens, na manhã deste sábado (6), a Guilherme Martins Oliveira, de 20 anos, um dos três militares mortos na última quinta-feira, perto de um bar da comunidade Gogó da Ema, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio. Eles compareceram ao velório, que teve início por volta das 10h, e se aproximaram do caixão para se despedir de Guilherme. Sob o corpo do rapaz, familiares, amigos e militares deixaram flores e fardas.
Além de Guilherme, outro homem, que era seu colega de serviço às Forças Armadas, também morreu atingido por um tiro: Gabryel Marques de Oliveira, de 21 anos. Ambos chegaram a servir no Colégio Militar da Tijuca, na Zona Norte da cidade e, segundo relatos, eram conhecidos como jovens do bem e atléticos.
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Policial militar em contradição
Outro rapaz baleado durante a operação da PM no Complexo do Chapadão foi João Marcos da Silva Lima, de 19 anos. Um policial militar, que não teve a identificação revelada, entrou em contradição ao falar que o jovem estava armado e teria atirado contra uma equipe da corporação. 
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Em entrevista ao O DIA, Rayanne da Silva, irmã de João, que está internado em estado estável no Hospital Estadual Carlos Chagas (HECC) após ser atingido por um disparo na barriga, disse que o irmão iria se encontrar com os amigos do quartel na casa de uma prima deles para ficar conversando. Logo em seguida, ela relata que começou um tiroteio na região e decidiu ligar para João para pedir que ele não fosse para a rua.
"Eu liguei pra ele e disse: "Bu? fica aí na Mariana, está dando muito tiro, depois você desce. Ele me respondeu: Rayanne, eu tô baleado, Rayanne. O caveirão me acertou, Rayanne. Não me abandona, vai para o hospital mais próximo". Nessa hora eu achei que ele estava brincando e disse: "poxa, não faz isso, eu estou grávida". Ele falou: "não estou brincando, Rayanne, fui baleado, estou na praça."
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Rayanne conta ainda que imediatamente pediu um uber para ir ao hospital mais perto da casa onde mora (Carlos Chagas) e chegando lá, viu o caveirão estacionado e perguntou a um policial o que estava acontecendo.
"Os policiais me disseram: senhora, seu irmão estava armado junto com os outros. E eu disse: não estava armado, e ele não é traficante, é militar. Aí ele disse para eu provar que meu irmão era militar e pediu documentos. Voltei em casa, peguei e mostrei. Aí ele respondeu: realmente seu irmão não estava armado, e ele não é traficante, só estava no lugar errado na hora errada."
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Ao ser perguntada se o irmão sabe da morte dos amigos Guilherme Martins e Gabryel Marques, Rayanne disse que provavelmente não, pois o jovem foi operado na noite desta quinta-feira (4) e se encontra na sala vermelha.
Civil instaura inquérito
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Em nota, a Polícia Civil afirmou que, em relação à operação realizada no Complexo do Chapadão, um inquérito já foi instaurado pela 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) e diligências serão realizadas para apurar e esclarecer os fatos.