Espaço foi alugado para ser usado como um depósito de gelo, mas nunca chegou a funcionar Sandro Vox/Agência O Dia

Rio - Durante uma coletiva de imprensa que aconteceu na tarde desta quarta-feira (22) na Cidade da Polícia, Zona Norte, para falar sobre a prisão de duas mulheres que espionavam policiais militares do Bope e do Batalhão de Choque a serviço de traficantes, o delegado Hilton Alonso, titular da 21ª DP (Bonsucesso), disse que o próximo passo da investigação é pedir a quebra de sigilo telefônico da dupla, para tentar localizar e prender outros possíveis criminosos que possam estar envolvidos no esquema. 
Hilton acredita que Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos não atuavam sozinhas. 
"Estamos pedindo agora, oficialmente, a quebra dos sigilos telefônicos. Eles vão ser analisados com mais calma e outras testemunhas também serão ouvidas. Vamos buscar um caminho para descobrir tudo. Há todo um grupo por trás disso. Havia até escolta, então tem toda uma equipe. Elas não conseguiriam acompanhar tudo sozinhas todos os dias", disse.
Sobre o apartamento em Laranjeiras, a loja no Centro da Cidade e o equipamento (câmera), Alonso ressaltou que irá investigar para saber de onde vinha o dinheiro para a compra desses imóveis e do material de monitoramento.
Ainda segundo ele, o apartamento na Zona Sul foi alugado pelas criminosas há aproximadamente seis meses. Já a loja no Centro vem sendo utilizada há dois meses, mesmo período em que a câmera está instalada no local.
"Com certeza existe uma organização criminosa e eles estão investindo pesado. O apartamento é em Laranjeiras (bairro nobre) e a câmera é de alto custo. Elas (Carolina e Keley) são só a ponta do iceberg”, continuou.
Perícia em aparelho
Agentes da 21ª DP (Bonsucesso) realizaram, na manhã desta quarta-feira (22), uma perícia na loja do Centro, na Rua Frei Caneca, onde a câmera espionava o deslocamento de equipes do Batalhão de Choque (BPChoque). O imóvel fica a alguns metros de distância da unidade militar e da Academia de Polícia Civil (Acadepol).
A ação contou com o apoio da Corregedoria da PM e faz parte das investigações sobre o esquema de monitoramento da movimentação dos policiais.
No local, também foram apreendidos um roteador para acesso à internet e cabos. A câmera, que estava instalada na parede de um casarão ao lado da loja, foi retirada pelos policiais. O equipamento vai ser periciado. De acordo com uma testemunha, que reconheceu uma das mulheres, o espaço foi alugado para ser usado como um depósito de gelo, mas nunca chegou a funcionar.
Entenda o caso
A Polícia Militar prendeu na manhã desta terça-feira (21) duas mulheres suspeitas de espionar a saída de equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e repassar informações para criminosos, em tempo real, sobre o destino dos policiais.
A espionagem de Carolina Teixeira e Keley Cristina foi descoberta quando viaturas do Bope saiam do batalhão, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, com destino à comunidade de Manguinhos, na Zona Norte, para uma operação contra o tráfico de drogas na região. 
Os agentes perceberam que estavam sendo seguidos por um carro prata e decidiram abordar o veículo. Com as mulheres foram apreendidos seis celulares, sendo que um dos aparelhos fazia uma transmissão ao vivo do percurso dos policiais.
A PM descobriu ainda que Carolina é mulher de um policial militar que está preso - o nome dele não foi revelado. Além disso, uma das criminosas morava de frente para o batalhão, em Laranjeiras, o que facilitava a prática da espionagem. A dupla foi presa e levada para a 11ª DP (Rocinha).
*Colaborou Cléber Mendes