O número de mulheres na corporação, em breve, poderá aumentar: haverá novo concurso para a Guarda Municipal de São Gonçalo, com preenchimento imediato de 40 vagas e 120 em cadastro de reserva
O número de mulheres na corporação, em breve, poderá aumentar: haverá novo concurso para a Guarda Municipal de São Gonçalo, com preenchimento imediato de 40 vagas e 120 em cadastro de reservaDivulgação / Renan Otto
Por Irma Lasmar
SÃO GONÇALO - Em uma equipe majoritariamente masculina, as mulheres vêm ganhando destaque na Guarda Municipal, ocupando atualmente 50 entre as 312 vagas. A presença feminina na corporação tem apenas 28 anos. No último concurso, realizado em 2011, foram admitidas 15 mulheres no quadro de servidores. Com personalidade, firmeza e serenidade, elas atuam na vigilância do patrimônio público e no ordenamento da cidade. 
Andrea Rosa é uma das pioneiras gonçalenses, integrando a primeira turma feminina do município. O exemplo profissional veio de casa: filha de policial militar, passou na prova da PM, mas não seguiu no processo seletivo, por conta do exame psicotécnico. "Meu pai sempre foi muito meu amigo, meu parceiro. Meu sonho era fazer a mesma coisa que ele. Houve o concurso para a Guarda Municipal, um trabalho que se assemelhava ao de um policial, e pensei: essa é a oportunidade que esperava”, recorda-se.
Publicidade
A servidora pública já passou por várias funções. No Grupamento Especializado de Ronda Escolar (Gere) de São Gonçalo, do qual também é pioneira, ela encontrou seu lugar na corporação. Criado em 1998, o Gere atualmente tem sua força composta majoritariamente de mulheres. “A mulher tem um traquejo diferente, observa todo o contexto de uma situação. Na Ronda Escolar tem um olhar diferenciado para as crianças e os adolescentes, com mais empatia à dor do outro. No trânsito temos um olhar de entendimento, prevenção, informação, enfim, um olhar mais humanizado e empático”, ressalta.
Há três anos, o Gere está baseado de forma estratégica no Colégio Municipal Presidente Castelo Branco, no Boaçu. Desde então, trouxe uma nova realidade para a área, que anteriormente era foco de brigas de facções criminosas, uso de entorpecentes, tráfico de drogas e assaltos no entorno. O grupamento também desenvolveu projetos educacionais dedicados às crianças e adolescentes das escolas municipais, criando um vínculo de confiança com os estudantes.
Publicidade
Oriunda da última turma de mulheres a ingressar na Guarda Municipal, em 2011, Natália Santos, era analista de recursos humanos em um banco, especialista em processos seletivos, antes de prestar concurso para ingressar na Guarda Municipal. Ela também tem formação como técnica de enfermagem.
“Foi uma grande mudança. Eu usava roupa de executiva com salto alto e estava acostumada com procedimentos burocráticos, processos seletivos e dinâmicas de grupo. Por curiosidade, vi um anúncio em um jornal sobre o concurso para a Prefeitura, que contemplava diversas áreas. Fiquei na dúvida entre fazer para técnica de enfermagem ou guarda, pela qual optei na última hora", relembra. Era o primeiro passo para ingressar na corporação. Após o exame teórico, os aprovados são submetidos a um teste físico, de caráter eliminatório.
Publicidade
Muitas vezes, durante a rotina nas ruas de São Gonçalo, situações inesperadas acontecem com os guardas municipais. Natália conta que já auxiliou uma mulher que sofreu um aborto espontâneo. “Eu estava em patrulhamento na ronda escolar quando o motorista de um ônibus me chamou e disse que tinha uma passageira em trabalho de parto. Cheguei para socorrer a menina e nessa hora a formação em técnico de enfermagem foi essencial. Levei-a para a maternidade do Alcântara, onde chegou sentindo muitas dores. Infelizmente a criança não sobreviveu", conta.
Natália destaca a singularidade com a qual as mulheres conduzem as situações. “Temos uma forma doce e educada de tratar as pessoas. Através do respeito, a mulher se faz valer”. 
Publicidade
A Guarda atualmente conta com quatro segmentos de atuação na cidade: Grupamento de Trânsito (GT), Grupamento de Ronda Ostensiva Municipal (Romu), Grupamento de Proteção Ambiental (GPAM), Grupamento Especializado de Ronda Escolar (Gere). Todos eles contam com guardas municipais femininas.
Conhecida por todos na Prefeitura, Maria José Tavares, a Zezé, tornou-se um símbolo da GM. Ela mantém a ordem nas dependências da sede do Poder Executivo, auxilia funcionários e contribuintes com informações e, neste momento de pandemia, também fiscaliza o uso de máscara individual de proteção por todos que circulam nas dependências do prédio. Postura firme, mas sem perder a simpatia. Zezé entrou na primeira turma feminina da Guarda Municipal em 1993 e viu na quantidade de vagas oferecidas na época uma boa oportunidade profissional. Em seus 28 anos de corporação, ela conta que já teve grandes desafios na carreira.
Publicidade
"Cheguei a ser ameaçada por um homem armado enquanto eu atuava como guarda de trânsito. A minha postura foi a do diálogo, da mediação de conflito. Devemos responder da forma que o cidadão precisa ouvir, segundo o nosso conhecimento de causa", afirma. Zezé destaca o contato direto e constante com o público e comenta que o que mais gosta na profissão é ajudar as pessoas. "Não que os homens não tenham, mas o diferencial da mulher é o carisma, a educação, a postura. Dar o seu máximo e ser sempre correta. Temos todo um cuidado especial", garante.
O número de mulheres na corporação, em breve, poderá aumentar. Segundo o prefeito Capitão Nelson, haverá novo concurso para a Guarda Municipal de São Gonçalo, com preenchimento imediato de 40 vagas e 120 em cadastro de reserva. O processo seletivo que seria em maio foi adiado por conta da pandemia do coronavírus.