Para aumento do valor do RAS continuar valendo, Estado do Rio terá que seguir à risca determinações dos conselheiros - Luciano Belford / Agência O Dia
Para aumento do valor do RAS continuar valendo, Estado do Rio terá que seguir à risca determinações dos conselheirosLuciano Belford / Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Policiais civis da 16ª DP (Barra da Tijuca) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) fazem, nesta quinta-feira, uma operação para prender os responsáveis pela construção dos prédios que desabaram na Muzema, na Zona Oeste do Rio. A ação pretende cumprir quatro mandados de prisão e vários de busca e apreensão, dentre eles contra os milicianos José Bezerra de Lima, conhecido como Zé do Rolo, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa, que já estavam sendo procurados.

Ao todos, 20 locais são alvos da operação, dentre eles endereços na Paraíba e Pernambuco, para onde teriam fugido três procurados na ação. No Rio, além da Muzema, os agentes também estão em locais das zonas Sul e Norte e Baixada Fluminense. Os investigadores querem saber se há participação de outras pessoas que tentam atrapalhar as investigações.

"Hoje, estamos cumprindo vários mandados de busca e apreensão e estamos apurando vários locais onde poderiam estar os foragidos. Na associação de moradores encontramos vários papeis e apreendemos computadores, mídias e tudo que achamos que interessa na investigação", conta a titular da 16ª DP, a delegada Adriana Belém.

Por volta das 12h20, um homem — que ainda não teve a identidade revelada — chegou à 16ª DP conduzido por policiais. O homem irá prestar depoimento sobre o caso dos prédios que desabaram. Ainda não há informações se ele estaria ou não ligado aos milicianos.

Zé do Rolo, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa são alvos da operação desta quinta - Arquivo Pessoal

Belém diz que varias pessoas já prestaram depoimento na delegacia. De acordo com ela, só na semana passada, foram ouvidas cerca de 10 pessoas, dentre elas, vítimas, moradores e presidentes de associações.

"Ao todo, aproximadamente 30 pessoas foram à delegacia. As investigações seguem e estamos em contato permanente com a Draco e delegacias de outros estados. Vamos continuar nas investigações até que todos os envolvidos sejam presos".

A Polícia Civil investiga ainda se edifícios em outras áreas da cidade e também em estados do Nordeste — como Pernambuco e Paraíba — foram construídos pelo grupo, que é comandado pelo major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, preso no início do ano na operação Os Intocáveis.

Operação começou na manhã desta quinta-feira - Luciano Belford / Agência O Dia

No início da manhã, os agentes estiveram na Associação de Moradores da Muzema para cumprir um dos mandados. Marcelo Diniz Anastácio da Silva, presidente da associação e que já foi ouvido duas vezes no inquérito, acompanhou os trabalhos do policiais.

Perguntado se via a operação como perseguição, ele disse que "estava tranquilo e que a autoridade policial estava fazendo seu trabalho", dizendo confiar na Justiça.

O presidente da associação de Moradores da Muzema esteve no local para receber os policiais - WhatsApp (21) 98762-8248

O desabamento na Muzema aconteceu no dia 12 de abril e deixou 24 mortos e sete feridos. As construções na região são irregulares e ficam dentro de uma área de proteção ambiental.

O trabalho de busca por sobreviventes durou mais de uma semana, envolvendo mais de 100 agentes. Após os trabalhos de buscas, a prefeitura iniciou a demolição de outros prédios próximos aos que desabaram.

A Justiça aceitou pedido do Ministério Público estadual (MPRJ) proibindo novas construções na região.

Desabamento aconteceu no dia 12 de abril - Hudson Pontes / Prefeitura do Rio

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