Em comício em SP, Haddad diz que partido precisa se reconectar com periferias

Candidato do PT comemorou a pesquisa que o coloca à frente de Bolsonaro na capital paulista

Por Agência Brasil

Haddad durante comício em São Paulo
Haddad durante comício em São Paulo -

São Paulo - Em seu último grande comício na cidade de São Paulo, na noite desta quarta-feira, o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) disse que seu partido tem que se reconectar com as periferias. Ele afirmou também que esta reconexão foi feita na capital paulista, na qual figura à frente do adversário Jair Bolsonaro (PSL) na preferência do eleitorado, de acordo com pesquisa do Ibope divulgada na terça.

"A gente tem que se reconectar com a periferia, tem que se reconectar com a dor das pessoas que estão sofrendo. Aqui em São Paulo, nós já passamos Bolsonaro, porque essa reconexão já foi feita de maneira mais fácil. Todo o hip-hop está conosco e nós vamos ganhar essa eleição", disse o candidato.

Na pesquisa de terça, Haddad tem 51% dos votos válidos contra 49% do adversário na preferência do eleitorado paulistano.

No comício em São Paulo, o movimento hip-hop foi representado pelo rapper Emicida. Na terça, o movimento cultural também participou do ato de Haddad realizado no Rio de Janeiro, com a participação do rapper Mano Brown, que fez críticas ao PT. O ato em São Paulo também teve a participação de Guilherme Boulos, candidato do Psol derrotado no primeiro turno, e líderes de movimentos sociais.

No discurso, o candidato do PT ressaltou o apoio que recebeu do ex-presidente do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman. Para Haddad, isso é mais uma mostra de que o país já percebeu que Bolsonaro representa risco ao futuro nacional. O discurso do petista foi feito para uma multidão no Largo da Batata, na Zona Oeste da capital paulista, no ato chamado Virada pela Democracia.

Derrotado pelas entrevistas

Evento foi realizado no Largo do Batata (SP) - Miguel Schincariol / AFP

Haddad também atacou diretamente seu adversário. Ele ressaltou que, a cada entrevista que Bolsonaro concede, cai mais nas pesquisas. "Pelas minhas previsões, eu sou economista também, como vocês sabem, ele está a duas entrevistas da derrota. Fala Bolsonaro, fala o que você pensa! Se você não quer me enfrentar (em debates), fala só o que você pensa! Você vai tomar uma surra do povo brasileiro no domingo", garantiu.

O candidato do PT comentou a entrevista de Bolsonaro à TV Cidade Verde, do Piauí. "Essa semana, na última entrevista, ele disse que mulheres, negros, gays e nordestinos têm que deixar de se fazer de coitados. Eu quero dizer ao Bolsonaro, eu não tive a oportunidade de confrontá-lo, esse fujão, que coitado é ele, que é o parlamentar mais improdutivo da história desse país... Vinte e oito anos sem fazer nada, a não ser fomentar ódio e intolerância a cada discurso que faz", acrescentou.

Voto dos evangélicos

Evento foi realizado no Largo do Batata (SP) - Miguel Schincariol / AFP

Haddad disse ainda que os evangélicos, que em grande parte apoiaram seu concorrente no primeiro turno, estão mudando de opinião. Segundo ele, o discurso de Bolsonaro está afastando os fiéis e os aproximando de sua candidatura.

"O evangélico sabe qual o significado que a palavra verdade tem na bíblia. E sabe também o que significa a palavra mentira. Quando meu adversário começou a mentir, os evangélicos se sentiram traídos. É isso que está impulsionando o voto evangélico. Eles estão perdendo a confiança no que Bolsonaro diz", afirmou.

O Ato da Virada pela Democracia, convocado pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, contou com simpatizantes do candidato do PT, membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e de integrantes de grupos sociais como a Marcha Mundial das Mulheres, o Levante Popular da Juventude e o Ditadura Nunca Mais.

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Haddad durante comício em São Paulo Miguel Schincariol / AFP
Evento foi realizado no Largo do Batata (SP) Miguel Schincariol / AFP
Evento foi realizado no Largo do Batata (SP) Miguel Schincariol / AFP