Delegado que começou investigações do caso Marielle assume delegacia da Barra

Giniton Lages era titular da Delegacia de Homicídios da Capital quando aconteceram os assassinatos da vereadora e do motorista Anderson Gomes

Por RAI AQUINO

Giniton Lages foi titular da Delegacia de Homicídios da Capital até o início do governo Witzel
Giniton Lages foi titular da Delegacia de Homicídios da Capital até o início do governo Witzel -
Rio - O delegado Giniton Lages, que iniciou as investigações do caso Marielle Franco, vai assumir o lugar de Adriana Belém no comando da 16ª DP (Barra da Tijuca). A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada pelo DIA, com o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinicius Braga.
Lages foi da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) até o início do governo Witzel, quando foi substituído pelo delegado Daniel Rosa, que permanece à frente da especializada. Ele deixou a DHC em março do ano passado, logo após as prisões do PM reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Elcio Queiroz, acusados de serem os autores do duplo homicídio.
"O Giniton é um delegado com muita história na polícia e com certeza fará um bom trabalho", o secretário de Polícia Civil destacou, sobre a volta de Giniton ao comando de uma delegacia do estado.
O governador Wilson Witzel (à esquerda), o chefe da Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga (ao centro), e o delegado Giniton Lages (direita), após o fim da primeira fase das investigações do caso Marielle - Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
IDA PARA EUROPA
A saída de Lages da DHC aconteceu em meio à críticas das investigações das mortes de Marielle e Anderson. O delegado foi acusado de pressionar suspeitos para confessarem participação no crime. Os questionamentos sobre o trabalho feito pela especializada fizeram com que a Procuradoria-Geral da República determinasse uma investigação federal sobre a investigação do crime.
Assim que deixou a delegacia, o governador Wilson Witzel (PSC) disse que Giniton iria fazer um intercâmbio na Itália, alegando que ele não havia sido exonerado da Polícia Civil. Na ocasião, Witzel defendeu que o delegado encerrou a primeira fase das investigações, que levaram aos executores do crime e que a nova fase, para a descoberta dos mandantes, iria ser conduzida por Rosa.
"Como ele (Lages) está com essa experiência toda adquirida do caso e nós estamos com esse intercâmbio com a Itália exatamente para estudar a máfia e os movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência com a polícia italiana", Witzel afirmou, na época.
Desde então, o delegado não assumiu nenhum cargo em delegacia do estado.
Então titular da 16ª DP, Belém deixou o comando da delegacia após prisão de seu braço-direito, o chefe de Investigação da distrital, o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves, na operação Os Intocáveis II - Reprodução / Instagram
SAÍDA DE BELÉM
A saída da delegada Adriana Belém do comando da delegacia da Barra aconteceu um dia depois da prisão de seu braço-direito, o chefe de Investigação da distrital, o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves, durante uma operação contra a milícia de Rio das Pedras. Belém entregou o cargo dizendo que a prisão de Camillo "foi uma surpresa".
Além de Camillo, o inspetor Alex Fabiano Costa de Abreu foi outro policial da 16ª DP preso na operação desta quinta-feira, que capturou outras 31 pessoas. De acordo com o Ministério Público estadual (MPRJ), eles recebiam propina para deixar de combater as ações da milícia investigada.
Durante coletiva de imprensa realizada após a ação, o Corregedor da Polícia Civil, o delegado Glaudiston Galeano Lessa, cogitou o afastamento de Belém. A delegada não foi alvo da investigação do Ministério Público.
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Giniton Lages foi titular da Delegacia de Homicídios da Capital até o início do governo Witzel Armando Paiva / Agência O Dia
Então titular da 16ª DP, Belém deixou o comando da delegacia após prisão de seu braço-direito, o chefe de Investigação da distrital, o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves, na operação Os Intocáveis II Reprodução / Instagram
O governador Wilson Witzel (à esquerda), o chefe da Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga (ao centro), e o delegado Giniton Lages (direita), após o fim da primeira fase das investigações do caso Marielle Reginaldo Pimenta / Agência O DIA

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