ONG marca manifestação e cobra apuração de morte de músico em Guadalupe

Moradores da Comunidade do Muquiço portarão 80 bandeiras do Brasil furadas, simbolizando os tiros que foram desferidos por militares da 1ª Divisão de Exército da Vila Militar contra o carro de Evaldo dos Santos Rosa

Por O Dia

Esposa de Evaldo, Luciana se desesperou ao relatar a morte do marido, em Guadalupe, no domingo
Esposa de Evaldo, Luciana se desesperou ao relatar a morte do marido, em Guadalupe, no domingo -

Rio - A ONG Rio de Paz realizará manifestação pública nessa quarta-feira (10) das 7h às 9h na Estrada do Camboatá, ao lado do Piscinão de Deodoro, em Guadalupe. Moradores da Comunidade do Muquiço portarão 80 bandeiras do Brasil furadas, simbolizando os tiros que foram desferidos por militares da 1ª Divisão de Exército da Vila Militar contra o carro de Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, e sua família na tarde de domingo.

A ONG, filiada ao Departamento de Informação Pública (DPI) da ONU, pede que toda a sociedade exija das autoridades, sobretudo as que estão sob o comando do Ministério da Defesa, todo rigor na apuração dos fatos.

Além disso, o Rio de Paz cobra a manifestação do Palácio do Planalto, já que a força armada envolvida no homicídio mencionado é subordinada ao Ministério da Defesa e à Presidência da República.

"O Ministério da Defesa precisa dar à sociedade garantias de que os militares em atividade nas ruas de qualquer cidade brasileira devem comprovar capacitação necessária para tal e transparência nos protocolos de atuação na segurança pública. Na apuração, é preciso também que a cadeia de comando seja responsabilizada pelo episódio, e não apenas aqueles militares que acionaram o gatilho. Por último, mas não menos importante, a União deve ser cobrada pelo Ministério Público Federal para providenciar indenização para parentes das vítimas, antes mesmo de conclusão de eventuais processos”, afirma Antônio Carlos Costa, Presidente e Fundador da ONG Rio de Paz.

O Exército prendeu em flagrante, na segunda-feira, 10 militares envolvidos no fuzilamento.

O advogado da família do músico Evaldo dos Santos Rosa disse que vai solicitar à Justiça que a Delegacia de Homicídios (DH) investigue o caso. De acordo com João Tancredo, o pedido foi feito pela própria família, por acreditar que haja parcialidade por parte da Justiça Militar, em casos como este. Além disso, outras duas ações serão movidas contra a União.

Um homem foi baleado enquanto tentava ajudar a família fuzilada e permanece internado no Hospital Municipal Carlos Chagas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o estado de saúde de Luciano Macedo é grave.

Para especialista, músico estaria vivo se casos anteriores tivessem punição exemplar

Dois dias antes da ação que resultou na morte do músico Evaldo Rosa, soldados do Exército já haviam feito disparos de fuzil contra Christian Felipe Santana, de 19 anos, que estava na garupa da moto de um amigo. Christian também acabou morrendo. A blitz ocorreu na sexta-feira, em Guadalupe, mesmo bairro onde Evaldo foi atingido. De acordo com Silvia Ramos, pesquisadora do Núcleo de Violência da Universidade Cândido Mendes, se houvesse punição exemplar no primeiro episódio, a morte do último domingo não teria ocorrido

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