Da esquerda para a direita: Alexandre, Lucas e Fernando
Da esquerda para a direita: Alexandre, Lucas e FernandoArquivo Pessoal
Por Jorge Costa*
Rio - "Nós, mães e familiares estamos sofrendo muito, há três meses não vimos as nossas crianças, é muito triste, dói demais". Com estas palavras, Rana Jéssica rememorou o desaparecimento do seu filho, Alexandre da Silva, que completou 11 anos na última segunda-feira (15). O menino está desaparecido junto com o seu primo, Lucas Matheus, de oito anos, e o amigo Fernando Henrique, de 11, desde o dia 27 de dezembro. Neste sábado, faz 90 dias que os três sumiram após brincarem em um campo de futebol no bairro Castelar, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Rana Jéssica, mãe de Alexandre, disse que até o momento não recebeu novas notícias sobre as investigações feitas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). "Até o momento não recebemos nenhuma novidade, só as filmagens que o Ministério Público nos mostrou".

No dia 11 de março, o MP anunciou ter encontrado imagens de uma câmera de segurança que flagrou os três meninos na Rua Malopia, em Vila Medeiros, um bairro vizinho de onde eles sumiram. As mesmas imagens tinham sido obtidas antes pela Polícia Civil, que não encontrou, durante a perícia, o momento em que houve o registro da passagem dos meninos.

Rana disse que mantém intacto os objetos do filho enquanto luta pelo seu retorno. "Preservo todos os pertences do meu filho, está tudo limpinho e guardado. Esse momento está sendo muito difícil, sem notícias nenhuma, sem saber o que aconteceu com o meu Alexandre, ele completou 11 anos no dia 15 de março", afirmou.

Alexandre dormia em um quarto dividido com sua irmã de quatro anos. Perguntada pelo DIA se conversou com a filha sobre o caso, Rana desabafou: "Ela pergunta pelo Alexandre e me fala que vai procurar ele. Às vezes ela chora. Queria pedir que se alguém estiver com essas crianças, que soltem elas porque nós, mães e familiares, estamos sofrendo muito. Três meses sem ver nossas crianças é muito triste e dói demais".
Qualquer pista sobre os meninos pode ser enviado ao número 190. As famílias também disponibilizaram os números: 21 97675-8424 / 98167-5857 / 97467-3043 para quem puder ajudar.

Sem respostas
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A Polícia Civil disse, em nota, que nesta e na última semana, os policiais verificaram denúncias sobre o paradeiro dos garotos, inclusive, na cidade do Rio de Janeiro, em que imagens foram coletadas e apresentadas para as famílias, embora sem reconhecimento até o momento. A DHBF continua as diligências e ações de inteligência buscando o esclarecimento do fato e o encontro das crianças.

De acordo com a Polícia Civil, foram feitas mais de 80 diligências e buscas em locais distintos nestes três meses. Na comunidade onde as crianças viviam, a nota menciona investigações com o apoio da CORE e do Batalhão de Choque da Polícia Militar para coletar informações.

Ainda em nota, a Polícia afirmou que a DHBF iniciou diligências imediatamente após a comunicação do desaparecimento. Os agentes fizeram buscas, verificaram denúncias em diversos bairros do Rio de Janeiro e municípios da Baixada Fluminense e ouviram depoimentos de familiares e testemunhas.

As informações iniciais obtidas pela Polícia indicaram que as crianças teriam saído de onde moram, na comunidade Castelar, em Belford Roxo, para a Feira de Areia Branca, percurso de aproximadamente 2,7 Km, em que os diversos caminhos possíveis foram percorridos e onde foi registrada a passagem das crianças em vídeo.

O Ministério Público afirmou que as investigações prosseguem em conjunto com a DHBF e que no caso de avanços, eles serão informados desde que sem comprometimento das investigações.
Entenda a linha do tempo sobre a investigação:

27/12 - Por volta de 14h, no bairro Areia Branca, Alexandre da Silva, Lucas Matheus e Fernando Henrique sumiram. Os familiares registraram um boletim de ocorrência na 54° DP e começaram a fazer buscas pela cidade.

29/12 - Rana Jéssica recebe informações de que os meninos estariam vendendo balas em Caxias, mas se tratava de um falso comunicado.

01/01 - Na sexta-feira as mães compareceram à delegacia para cobrar que os policiais continuassem com as investigações.

03/01 e 05/01 - Familiares fazem manifestações para pedir apoio à população e exigir das autoridades respostas sobre o desaparecimento. Na noite de terça (05), após receber informações sobre um suposto paradeiro de uma das crianças, uma das famílias foi de carro até o município de Nova Iguaçu e durante o caminho houve um acidente, o veículo capotou por conta de um pneu que estourou durante o percurso. As quatro vítimas ficaram com ferimentos leves.

07/01 e 10/01- A DHBF com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) fazem buscas atrás de informações no bairro Castelar, em Belford Roxo. Onze dias após o desaparecimento, os nomes dos meninos ainda não constavam no cadastro de crianças e adolescentes do Ministério da Justiça.

12/01 - Homem é levado a DHBF após ser apontado como suspeito por moradores do bairro de Castelar. O indivíduo negou o crime e disse ter sido torturado por traficantes. A Polícia Civil investigou o caso e concluiu que ele não tinha relação com o desaparecimento. Ele foi considerado inocente em relação ao caso, mas foi preso por possuir material de pornografia infantil no celular.

13/01 - Defensoria Pública se reuniu com os familiares para oferecer apoio.

19/01 - Polícia Civil colhe material genético dos familiares para verificar se havia conexão entre o último suspeito e as crianças. Posteriormente, no dia três de fevereiro, foi descoberto que o sangue contido em uma roupa retirada da casa do suspeito não era das crianças, mas de uma pessoa que vivia com ele.

27/01 - É completado 30 dias do sumiço das crianças.

02/02 - Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos se comprometeu a prestar apoio às famílias.

08/02 - Governo do Estado pede apoio do Governo Federal para encontrar os meninos.

26/ 02 - Defensoria volta a pedir comunicação ampla sobre desaparecimento de meninos.

27/ 02 - É completado dois meses do desaparecimento dos meninos.

11/03 - Ministério Público encontra filmagem de meninos desaparecidos.

23/03 - Polícia Civil afirma ter feito buscas em mais de 40 lugares diferentes.

26/03 - Último dia em que a família teve contato com os meninos.
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*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes