Cães farejadores da PRF viraram inimigos número um dos bandidos nas estradas

Em um ano, apreenderam 3 toneladas de maconha

Por O Dia

Rio - Melhores amigos do homem, os cães farejadores, porém, têm sido inimigos número um dos criminosos em todo o estado. Os do Grupo de Operações com Cães (GOC) da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por exemplo, tornaram-se um pesadelo para os bandidos que agem nas dez principais rodovias federais fluminenses. Graças a seis animais da raça belga de malinois e um pastor alemão, a corporação praticamente dobrou a quantidade de apreensões de drogas nas estradas.

Pelo faro dos xodós dos patrulheiros, foram apreendidas quase três toneladas só de maconha nos últimos 12 meses. O dobro que o mesmo período anterior. “O grupamento tem se destacado não só nas rodovias, como também em grandes eventos, na identificação de substâncias explosivas. Sem contar o apoio às forças policiais de choque no controle de distúrbios, busca e captura de foragidos e detecção de cigarros, por exemplo”, detalhou o porta-voz da PRF, José Hélio Macedo.

Cinquenta quilos de maconha apreendidos recentemente com a ajuda dos cachorros na DutraDivulgação

Apreensões

Além do recorde da quantidade de maconha achada pela matilha, os cães, em um ano, também apreenderam quase 30 quilos de cocaína pura; 10 quilos de skunk (conhecida como super maconha); cerca de 1,5 mil comprimidos de ecstasy; sete armas de grosso calibre e pelo menos mil projéteis. As apreensões foram feitas pelos cachorros em bagageiros de ônibus, em fundos falsos de carros e caminhões. Drogas envoltas em sacos plásticos, e escondidas dentro de tanques de combustíveis e pneus, também não passaram pelos atentos animais.

Os bons resultados fizeram a PRF descentralizar os GOCs em todo o Brasil. No estado fluminense, desde o ano passado, mais de 800 ações dos cães para a localização de drogas e mais de 200 para detecção de armas, explosivos e munições, já foram desencadeadas. As mais novas estrelas da PRF atendem pelos nomes de Meg, de 5 anos, Apolo, 8, Stella, 9, Beca, 8, e Bud, 9, todos pastores belga malinois; e o pastor alemão Hai, de 2 anos, o caçula do grupo.

Uma das maiores apreensões foi em 31 de julho, na Via Dutra, em uma blitz em Itatiaia, no Sul Fluminense. Cinquenta quilos de maconha, que saíram de São Paulo e seriam entregues na Paraíba, foram interceptados pelos cães. Um homem de 24 anos foi preso no ônibus a caminho da Paraíba. Ele confessou que ganharia R$ 3 mil.

Cães enfrentam até tiroteios nas rodovias

Nos treinamentos, os cães aprendem, inclusive, a não se assustarem com barulhos de tiros e explosões. Em um ano, os cachorros da PRF do Rio participaram de boa parte das operações que culminaram em, pelo menos, 20 intensos tiroteios nos quase 1,5 mil kms de malha rodoviária da união, principalmente nas mais violentas: BR-040 (Rio-Petrópolis), Via Dutra, em toda a extensão da Baixada Fluminense, e BR-101 ( Niterói-Manilha), altura de São Gonçalo.

O canil da PRF fluminense é o mais antigo do país, criado em 1998. Atualmente, a corporação dispõe de 12 GOC´s regionais. Em 2012, quatro policiais rodoviários participaram de um curso em Israel, onde o foco foi a capacitação para o treinamento de cães na detecção de substâncias explosivas, armas e munições. Os grupamentos tiveram atuação destacada durante a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

Cães começaram a ser usados para farejar substâncias ilícitas no fim dos anos 60, durante a Guerra do Vietnã (1959- 1975). De acordo com historiadores, naquela época, era alto o consumo de heroína entre soldados americanos e os cachorros ajudavam a detectar usuários. Posteriormente, começaram a ser usados para acharem armas, drogas e bombas em locais onde jamais o homem poderia descobrir à primeira vista, como atrás de paredes falsas, por exemplo.

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