Erros no planejamento, prepotência e Sibéria: o drama e a queda do Vasco

Gigante da Colina amarga o terceiro rebaixamento à Série B em um semestre recheado de falhas e números ruins

Por O Dia

Rio - O ano, que começou com festa pelo título estadual, acabou de forma dolorosa. A torcida do Vasco chora o terceiro rebaixamento do clube para a Série B do Brasileiro. O orgulho está abalado. O respeito, discurso alardeado em tom marqueteiro, ficou arranhado. O dissabor da queda deixa a glória no Carioca desta temporada como uma lembrança "distante". Nem parece que o grito de "é campeão" ecoou em 2015. O Gigante da Colina termina o ano com sabor amargo...

Vai para a Sibéria%2C Eurico%3F Presidente do Vasco fez promessa contra a degolaBruno de Lima / Agência O Dia

A reação no segundo turno do Brasileiro não foi capaz de evitar a queda. A torcida abraçou o time, reforçou a prova de amor e escolheu acreditar, mas a salvação não foi possível. Triste fim de uma temporada recheada de erros.

Prepotência da diretoria

Ao longo de toda a temporada, a diretoria do Vasco se mostrou arrogante e prepotente sobre a real situação da equipe. Após um começo ruim no Brasileiro, o atacante Dagoberto afirmou que o Gigante da Colina não brigava pelo título. No dia seguinte, Eurico Miranda concedeu uma entrevista coletiva dizendo que o clube tinha condições de ser campeão. Durante a competição, quando o rebaixamento já se desenhava, o dirigente repetia de forma incessante que o Vasco não cairia e chegou a dizer que iria para a Sibéria caso o clube fosse rebaixado. Será que ele vai cumprir?

O dirigente não chamou atenção apenas pela promessa. O Caso Ronaldinho virou clássico. Eurico chegou a afirmar que o craque estava 90% certo com o Vasco, mas ele foi parar no Fluminense, que não perdeu a chance de debochar do rival. Entre trocas de farpas e provocações, o presidente do Vasco amarga a maior decepção: o rebaixamento.

Estadual como parâmetro

Sem títulos do Carioca desde 2003, Eurico Miranda retornou prometendo a conquista para o Vasco. Na fase classificatória, o Gigante teve algumas dificuldades, sendo derrotado até por clubes pequenos como o Friburguense. Nas finais, o clube da Colina superou os rivais Flamengo e Botafogo, sendo campeão do Estadual. Porém, a falsa impressão de que o Gigante estaria pronto para o Brasileirão dominou a diretoria, que demorou para reforçar o elenco para o Brasileiro.

Mutação

Para a disputa do Carioca de 2015, o Vasco reformulou o elenco que disputou a Série B do ano anterior. Chegaram ao Gigante da Colina jogadores como Marcinho, Gilberto e Dagoberto, que disputaram o Estadual, mas que não terminaram o ano. Atletas importantes na reação da equipe na luta contra a degola, como Andrezinho e Nenê, chegaram apenas durante a competição. Ao todo foram 31 contratações, sendo que seis delas deixaram o clube antes do fim do ano.

Com problemas de lesão%2C Dagoberto se afastou do Vasco ao longo do BrasileiroAlexandre Brum / Agência O Dia

Ciranda de técnicos

Assim como todo clube rebaixado, o Vasco se utilizou da receita de trocas de técnico. Campeão do Carioca, Doriva resistiu a apenas oito rodadas no Brasileirão. Celso Roth estreou com vitória sobre o Flamengo, mas não resistiu à derrota para o Coritiba na última rodada do primeiro turno. Jorginho fez um trabalho de recuperação, mas não conseguiu evitar o rebaixamento.

Campeão carioca%2C Doriva não iniciou bem o Brasileiro e durou apenas oito rodadasBruno de Lima / Agência O Dia

Primeiro turno péssimo

A campanha do Vasco no primeiro turno foi uma das piores da história do Brasileirão. Com apenas 13 pontos conquistados e com sete de diferença para o primeiro time fora da zona de rebaixamento, a missão do grupo para o segundo turno era muito complicada. A reação aconteceu, inclusive com o Gigante igualando a pontuação realizada na primeira parte em apenas nove jogos, porém, a herança maldita foi bastante amarga e o rebaixamento não foi evitado.

Caldeirão frio

Sempre utilizado como alçapão do Vasco, São Januário não teve o efeito de anos anteriores. No início do campeonato, o clube conseguiu apenas uma vitória no caldeirão, com dois empates e três derrotas. A partir daí, o Maracanã passou a ser a casa vascaína. O desempenho melhorou, mas não foi suficiente. O retorno a São Januário aconteceu na 35ª rodada, com empate com o Corinthians e depois com triunfo sobre o Santos, na penúltima rodada.

Wilson consola Bruno Gallo%3A o Vasco está rebaixado para a Série BEfe

Brasileiro para esquecer

O drama vascaíno começou logo na quarta rodada, quando entrou na zona de rebaixamento. De lá não saiu mais. O Gigante da Colina só foi vencer o primeiro jogo no Brasileiro na nona rodada. Outra marca negativa foi a seca de gols. O time ficou sete jogos seguidos, da 16ª até a 22ª rodada, sem balançar a rede. Os números, com o time sempre entre os piores ataques e piores defesas, também explicam a queda.