Será mesmo

Operação 'Cest Fini' prende ex-chefe da Casa Civil de Cabral, Régis Fichtner, atualmente assessor do procurador-geral do estado, e mais quatro empresários

Por RAFAEL NASCIMENTO

Um ano após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, a Justiça Federal ainda está retirando do Governo do Estado peças da engrenagem que movimentava a máquina de corrupção no Executivo Fluminense.

Ontem, o Ministério Público Federal (MPF) deflagrou a Operação C'est Fini (É o fim ou acabou, em francês), prendendo cinco pessoas que participavam do esquema criminoso, entre elas dois personagens da famosa "Farra dos Guardanapos", o jantar no hotel Ritz, em Paris, ocorrido em 2009, onde secretários da cúpula do governo e empresários foram fotografados usando guardanapos na cabeça e dançando.

A prisão de maior repercussão foi a do ex-secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, um dos mais influentes colaboradores de Cabral. Ele é acusado de receber R$ 1,5 milhão de propina. Segundo a denúncia, Fichtner recebia suborno até no Palácio Guanabara. O procurador do MPF, Eduardo El Hage, disse que Fichtner era o "braço forte da organização de Cabral até hoje". Atualmente, ele ocupava o cargo de assessor do procurador-geral do estado e tinha influência na PGE-RJ, segundo El Hage.

Na mesma ação que levou Fichtner para a cadeia de Benfica, também foram presos Henrique Alberto Santos Ribeiro, Lineu Castilho Martins, Maciste Granha de Mello Filho e Georges Sadala Rihan. O empresário Alexandre Accioly foi intimado a prestar depoimento na sede da PF e o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish, em prisão domiciliar, foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento.

Além do recebimento de propina, Fichtner é protagonista em ações colocadas em xeque pelo MPF, como a compensação de precatórios (usados para abater dívidas fiscais) da Telemar Norte-Leste (cliente de Adriana Ancelmo), no valor de R$ 74,8 milhões; a contratação da Líder Táxi Aéreo (cliente do escritório de advocacia de Fichtner), no valor de R$ 10 milhões; e a concessão de benefícios fiscais de R$ 683,8 milhões à Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, de R$ 583 milhões à White Martins Gases, sendo que tais empresas também eram assessoradas pelo escritório de Fichtner.

Para o MPF, mesmo afastado do seu escritório quando era secretário do governo, Fichtner recebeu lucro de R$ 16,4 milhões, em 2014. A procuradora Marisa Ferrari disse que Fichtner tentou destruir provas e apagar emails para não ser indiciado e preso. Uma das bases da investigação é planilha com registro das propinas de Luiz Carlos Bezerra, operador financeiro de Cabral.

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