Gabriel Barros, diretor artístico da Condal, e o King Kong, em frente ao mostruário da fábrica - Marcio Mercante / Agencia O Dia
Gabriel Barros, diretor artístico da Condal, e o King Kong, em frente ao mostruário da fábricaMarcio Mercante / Agencia O Dia
Por FRANCISCO EDSON ALVES

'Na mesma máscara negra que esconde o teu rosto, eu quero matar a saudade. Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval...' No ritmo de uma das marchinhas mais cantadas de todos os tempos, a tradicional fábrica de máscaras Condal, em São Gonçalo, na Região Metropolitana a única especializada em semblantes bem-humorados de políticos do país , está completando seis décadas de funcionamento. E, como sempre, promete alegrar ainda mais a folia.

Para conseguir atender toda demanda, as máquinas estão a todo vapor. De acordo com o diretor e artístico da unidade, Gabriel Barros, de 29 anos, em média, funcionários estão produzindo entre 300 a 500 máscaras diariamente. Embora não tenha números precisos, calcula-se que nessas seis décadas, levando-se em consideração esse volume de produção, só no mês que antecede o Carnaval, a Condal tenha colocado cerca de um milhão de máscaras nos mercados interno e externo.

Por conta de 'segredos industriais' exigência dos distribuidores , Gabriel, que assumiu a direção da fábrica com o desafio de modernizá-la, evita falar em números. Mas ele destaca que a empresa, que quase fechou as portas nos últimos anos, está se reerguendo. "A crise econômica atingiu todos os setores, mas continuamos firmes", resume.

Embora tenha confeccionado protótipos do prefeito Marcelo Crivella, do deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro, e do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, Gabriel conta que as peças mais tradicionais, como king Kong e unicórnio, também estão sendo muito requisitadas.

Segundo Barros, pesquisas indicam que os foliões deram preferência, na última hora, para máscaras antigas e mais populares. "As figuras dos políticos devem sair bem também, como sempre, mas a do King Kong, por exemplo, foi uma das mais votadas para a fabricação em larga escala", ressalta Gabriel, adiantando que máscaras da ex-presidente Dilma Rousseff, do senador Aécio Neves, do ex-presidente Lula e do juiz Sergio Moro, não foram muito citadas como preferência no estudo. Já a réplica do rosto do jogador Neymar é mais uma que promete bombar neste ano, por conta da Copa do Mundo.

Além das máscaras de políticos, Gabriel conta que outros modelos, como os tradicionais pierrô, bate-bolas e presidiários, nunca deixaram de estar entre as mais pedidas. "As encomendas de última hora não param de chegar", completou o administrador.

Fábrica foi fundada em 1958 por artista plástico catalão
Publicidade
A Condal foi fundada em 1958 pelo artista plástico e professor de escultura da Universidade de Barcelona, Armando Valles. Natural de Barcelona, no nordeste da Espanha, ele morreu em 2007. Desde então, sua esposa, a também espanhola Olga Gilbert Huch, ficou à frente dos negócios.
Até hoje, a palavra final sobre a aprovação dos protótipos, moldados em diversas versões em barro, de determinado político ou figura publica é dela. Alguns são decididos há poucos dias do Carnaval, sempre baseados no noticiário. Querida pelos moradores, Olga já foi condecorada até com título de Cidadã Gonçalense.
Publicidade
Nas linhas de produção, materiais como E.V.A, PET, látex, cetim e telas metálicas, dão sustentação aos futuros rostos caricaturados, vendidos em média a R$ 10 nas lojas. Mas ao longo dessas seis décadas, nem tudo foram confetes. Alguns "personagens" implicaram com a fábrica. Em 2015, por exemplo, advogados do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, um dos delatores da Operação Lava Jato, ameaçaram processar Olga pela fabricação de máscaras com sua imagem. A produção foi suspensa.
Você pode gostar
Comentários