Leticia Sabatella registra BO após ser agredida em manifestação em Curitiba

Atriz e cantora foi agredida, por manifestantes pró-Temer e Moro, quando saia de casa para ir a restaurante

Por O Dia

Curitiba - A atriz Letícia Sabatella prestou queixa após ser agredida verbalmente e fisicamente nesse domingo, em Curitiba, no Paraná. Sabatella teria se envolvido em uma confusão com manifestantes pró-Temer e Moro, contrários ao governo petista, que faziam uma manifestação a favor da Operação Lava Jato. As agressões foram registradas no 1º Distrito da Polícia Civil do Paraná. Pelo menos duas pessoas já foram identificadas.

A Polícia Militar precisou intervir, para proteger a atriz e cantora. Nas redes sociais, vídeos mostram o momento em que Letícia Sabatella sofre a agressão. No Instagram, a atriz publicou um vídeo de quando as pessoas começaram a cercá-la e a vaiá-lá. Em determinado momento é possível observar uma mulher muito exaltada e esbravejando para ela: “Tenha vergonha. Nossa bandeira jamais será vermelha. Acabou a mamata para vocês. Chora, petista. Acabou a mamata, sem verhonha” disse a mulher. Letícia calmamente então responde: “vocês não são democráticos”.

Na rede social, Letícia falou sobre a confusão. “Não fui provocar ninguém, passava pela praça antes de começar a manifestação e parei para conversar com uma senhora. Meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem”, afirmou.

O DIA apurou que a Sabatella havia saído de sua casa, no Centro de Curitiba, para ir à um restaurante vegetariano — a atriz não tinha ido a nenhuma manifestação. De acordo com a Polícia Civil, a agressão contra a atriz, aconteceu próximo a praça Santos Andrade. No caminho, a atriz teria encontrado com uma senhora, que teria reconhecido, e pediu para tirar fotos. Outras pessoas, que estavam indo para a manifestação em favor do juiz federal Sérgio Moro e ao presidente em exercício Michel Temer, também reconheceram a atriz e pediram para tirar fotos.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a atriz teria atendido todos, mas em um determinado momento ela teria dito que precisava ir almoçar. Foi ai que algumas pessoas teriam se irritado e começado a agredir Sabatella. A atriz, então, foi escoltada pela Polícia Militar de volta para sua casa.

A atriz e cantora registrou um Boletim de Ocorrência, no 1º Distrito da Polícia Civil do Paraná contra pessoas que a agrediram fisicamente e verbalmente. Porém ela não representou contra os manifestantes — quando a vítima pede que os agressores sem intimados. Se em 30 dias a atriz decidir não representar, o BO deverá ser arquivado. Até a manhã desta segunda-feira, pelo menos duas pessoas já haviam sido identificadas.

O DIA tentou contato com a atriz, mas até o momento sua assessoria de imprensa não havia respondido.

Nas redes sociais dezenas de pessoas criticaram a agressão a atriz, entre eles o especialista e professor de sociologia Gilson Caroni Filho. Para o professor, pessoas como Chico Buarque e Sabatella, que se expõem em defesa da democracia são as mais atacadas por "imbecis, que antes ruminavam seus rancores isoladamente, e que agora foram encorajados a externar o ódio, antes, guardado no canto dos quartos".

"Chico Buarque é o melhor compositor brasileiro, um bom escritor e também dramaturgo. Sou de um tempo em que todos nós, homens e mulheres, o amavam. Letícia Sabatella é excelente atriz, mulher combativa, sempre engajada, linda e corajosa. É capaz de aliar a conhecida determinação com uma ternura própria das pessoas despojadas", diz. O especialista continua em sua manifestação: "Por que hoje ambos são agredidos? Por que tão hostilizados? Mudaram os tempos. Não mudaram os homens. Apenas os imbecis, que antes ruminavam seus rancores isoladamente, foram encorajados a externar o ódio guardado no canto dos quartos onde ficavam, e ainda por lá permanecem quando não estão em bando. Não odeiam Chico e Letícia apenas por pensarem diferente. O que os leva ao descontrole é ver nos dois a personificação do que jamais conseguirão ser: humanos que pensam, argumentam e se apaixonam por causas generosas. E isso é muito duro para quem não é nada. O fascismo é a incapacidade de ser alguma coisa que mereça respeito", finaliza Gilson Caroni.

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento 

Últimas de Brasil