Jamaica retira carne brasileira dos mercados; Hong Kong e Suíça anunciam medidas

País caribenho pediu para a população não comer produtos e suspendeu a importação; Hong Kong e Suíça também adotam restrições e Uruguai mantém acordo

Por O Dia

Brasília - A Operação Carne Fraca continua repercurtindo no mercado exterior. Nesta terça-feira, três países importadores anunciaram medidas restritivas contra a carne brasileira: Jamaica, Suíça e Hong Kong.

O governo da Jamaica adotou algumas das medidas mais duras contra a produção e a exportação de carnes do Brasil. O governo do país caribenho apelou para que a população simplesmente não coma carne brasileira e ordenou que supermercados retirem de suas prateleiras os produtos no setor bovino.

Todos os produtos considerados como sendo da lista da fraude do Brasil ainda serão retirados dos supermercados. Até que o caso seja examinado, toda a importação de carne brasileira será suspensa da Jamaica.

Em determinados setores, o Brasil fornece 99% do mercado jamaicano de carne bovina. O anúncio foi feito pelo ministro de Comércio, Karl Samuda, que organizou uma reunião de emergência e, numa nota pública, explicou as medidas que seu governo tomaria para garantir a "segurança do consumidor". Testes químicos ainda vão ser realizados nos produtos no mercado local para avaliar o impacto.

No mercado interno, Vigilância Sanitária aumentou a fiscalização Severino Silva / Agência O Dia

Suíça suspende importação de empresas envolvidas

As autoridades suíças anunciam que bloquearam a entrada da carne brasileira produzida por empresas envolvidas na fraude. Berna não revelou o volume de importação. Mas indicou que seguiu o mesmo padrão adotado pela Comissão Europeia.

"Como somos parte da Europa, bloqueamos o mesmo número de empresas que a UE", disse Stefan Kunfermann, porta-voz do Escritório de Veterinária da Suíça. Berna não faz parte da Comissão Europeia, mas já há anos tem como tradição seguir os mesmos padrões adotados por Bruxelas. Das quatro unidades, duas são de aves, uma de carne bovina e outra de equídeos.

Hong Kong interrompe entrada e questiona segurança

Hong Kong também se manifestou e proibiu temporariamente a importação de carne brasileira para levantar questões sobre a segurança da indústria de carne do país. "Tendo em vista que a qualidade da carne exportada do Brasil é questionada, por prudência, o Centro de Segurança Alimentar suspendeu temporariamente a importação de carnes congeladas e refrigeradas e carne de aves do Brasil com efeito imediato", informou a agência em comunicado.

Um porta-voz da agência disse que continuará a manter contato com as autoridades brasileiras para obter informações detalhadas para futuras avaliações.

Uruguai não tomará medidas

O ministro da Agricultura do Uruguai, Tabaré Aguerre, telefonou nesta terça-feira, para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para informar que seu país não adotará medidas restritivas à carne brasileira. Segundo relato de Maggi, o uruguaio disse que considera as medidas adotadas pelo governo brasileiro como suficientes. E rechaçou a ideia que o Uruguai deveria aproveitar a oportunidade para ocupar mercados na região "Perde o Brasil, perde o Uruguai, perdemos todos", teria dito, segundo Maggi.

Importação em xeque

Os três países que anunciaram medidas restritivas à carne brasileira nesta terça-feira se juntam ao Chile, China, Egito e União Europeia no movimento de importadores que restringiram ou proibiram a entrada de produtos do setor.

A Coreia do Sul havia restringido a entrada de importações das empresas investigadas na Operação Carne Fraca, mas voltou atrás nesta terça.

Últimas de Brasil