Hamilton Werneck: Greve, direito e inteligência

Um país democrático convive com o direito de greve, como meio de defesa dos que se sentem prejudicados pelas decisões salariais

Por O Dia

Rio - Um país democrático convive com o direito de greve, como meio de defesa dos que se sentem prejudicados pelas decisões salariais. Os sindicatos são organizados, e seus líderes buscam melhorias para a classe. Pelo menos assim deveria ser.

No entanto, há greves e greves! Enquanto uma pode ser reivindicatória e represente uma justa causa, a outra simplesmente poderá ser engendrada para solidificar um grupo de poder dentro de um sindicato. Ou, ainda, uma greve política, maquinada para ajudar a desestabilização de determinado governo.

Os líderes sindicais costumam comparar as decisões que tomam com os políticos e afirmam que os políticos podem errar e ter um espaço para se recuperar; no sindicalismo não é assim: um erro pode ser fatal para o futuro da liderança sindical.

O que pode ser um erro numa greve? Transformar o direito de greve em grevismo, que permite paralisações por qualquer coisa; paralisar, sustentar a paralisação por longo tempo e, depois, retornar ao trabalho sem obter as vantagens que eram reivindicadas; estabelecer paralisações sucessivas que culminem com a irritação de uma parcela da sociedade; afinal, se um movimento quiser sair vitorioso, algum apoio social precisará ter.

Eis as razões que devem fazer com que os líderes pensem antes de agir, sobretudo se quem regula a aplicação das leis, que é a Justiça, fizer algumas determinações que, por força de lei, devem ser cumpridas.

Assim, entre a manutenção de uma greve com desobediência civil e um compasso de espera que permita negociações, deve girar o pensamento e a ação das lideranças. Somente a inteligência de um líder pode determinar a linha de seu discernimento.

E, para não esquecer os experientes líderes, é bom lembrar que o espaço de recuperação, após algum erro, pode ser nulo dentro de um sindicato.

Pedagogo e escritor

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