Editorial: Por um novo patamar na democracia

Alguma coisa se avançou quando a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor, mas é muito pouco

Por O Dia

RIo - O Brasil, ultimamente armado até os dentes em discussões sobre Dilma e Aécio, petismo e tucanato, esquerda e direita, numa patrulha ideológica que contaminou as redes sociais e minou amizades — como exposto em reportagem domingo e neste espaço ontem —, faria muito melhor se atentasse para a governança. O DIA ontem publicou debate sobre o tema, em que três especialistas de diferentes áreas concordaram no desinteresse da sociedade no assunto. Muito da corrupção endêmica se perpetua exatamente por não haver procedimentos de transparência e de efetiva participação popular.

Alguma coisa se avançou quando a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor, mas é muito pouco. Como bem destacou Pedro Cunca Bocayuva, doutor em Planejamento Urbano pela UFRJ, não basta apenas publicar numeralhas e planilhas de gastos na internet. Transparecer algo que não teve suporte direto do contribuinte, dentro das modernas práticas de governança, não faz muita diferença. Tanto faz não ter mostrado nada.

Termos de gestão como eficiência e eficácia, ou a arte de fazer certo as coisas e fazer as coisas certas, precisam entrar em voga na República. Isso significa gastar com consciência e corretamente em projetos úteis e duradouros, sempre consultando a população. A lei já prevê coisas bonitas como Orçamento Participativo, mas todos sabem que muito disso só fica no papel.

A questão é que adotar esses princípios não depende só de boa vontade ou belos discursos. É necessário ajustar a Constituição, ceder poderes, dedicar tempo. Não se sabe se o Congresso que assumirá ano que vem, um dos mais constrangedores já eleitos pelo povo, terá esse compromisso.

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