Wilson Diniz: Cacifado por Eduardo

Para entender a cabeça do eleitor do Rio, é aconselhável recorrer à literatura do marketing político

Por O Dia

Rio - Para entender a cabeça do eleitor do Rio, é aconselhável recorrer à literatura do marketing político. Jacques Séguéla marqueteiro francês postula que são dez regras básicas para se obter sucesso numa campanha eleitoral. Destacam-se as três primeiras. Vota-se num nome, não num partido, vota-se numa ideia, não numa ideologia, e por último vota-se no futuro e não no passado. Estes mandamentos foram seguidos pelo marqueteiro do governador Pezão, que tornou vitorioso um candidato que despontava nas pesquisas com apenas 4% de intenções de votos.

Na eleição para governador, os teoremas do marqueteiro, em parte, foram comprovados e podem ser referências para os pré-candidatos às eleições de prefeito do Rio em 2016. São mais de sete candidatos, todos conhecidos do eleitorado, mas são de centro-direita. Apenas o Freixo pode ser considerado da esquerda e o deputado com votação expressiva (250 mil votos) em todas as zonas (97) eleitorais da cidade.

Os postulantes, Crivella e Romário, com forte potencial de votos conquistados nas eleições deste ano, são candidatos sem expressão ideológica e sem representatividade para dar continuidade às realizações de Eduardo Paes, que o eleitorado do Rio espera do próximo prefeito.

Crivella carrega o estigma de ser representante da Igreja Universal do Bispo Macedo, portanto, com poucas chances de um dia ser prefeito do Rio. Romário, sem discurso e sem experiência no executivo, corre riscos de perder credibilidade junto ao eleitorado se entrar na aventura de disputar o pleito sem cumprir o mandato de senador para o qual foi eleito.

César ocupará cargo de ‘grife internacional’ no governo Pezão. Não entra na disputa, pois vem colecionando fracassos nas últimas disputas. Clarissa Garotinho, talentosa com boa retórica como deputada, carrega o fardo da rejeição por ser filha do deputado Garotinho. Seu futuro se resume à carreira de parlamentar embelezando a passarela do Congresso.

Entra na disputa o representante da continuidade, Pedro Paulo, cacifado por Eduardo, sustentado pelas pautas de campanha, transportes de massa — Transcarioca, Transoeste e BRTs — e fábrica de escolas reeditando o legado dos Cieps de Brizola. Mesmo que os ventos da Alerj causem turbulência e Cabral ou Leonardo Picciani entrem em cena, Eduardo emplaca seu candidato na disputa em 2016. Se ganha, consultem os deuses e os babalorixás.

Wilson Diniz Economista e analista político

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