Por gabriela.mattos

Rio - Um levantamento do Ministério Público chamou a atenção para o aumento dos gastos do governo do estado com a folha de pagamento, em momento de contenção de despesas. Um dos detalhes é o salto de 400% nas contas da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. Mas o aumento é justificado pela incorporação, no decorrer do ano, das operações antes vinculadas à Secretaria de Governo. “Esqueceram de computar nos cálculos as operações Centro, na Lagoa, no Aterro e no Méier”, analisa o secretário em exercício Maurício Carlos Ribeiro.

Cinco minutos com Maurício Carlos Ribeiro, secretário de Direitos Humanos: 'Não houve aumento na folha'

Maurício Carlos Ribeiro%2C secretário de Direitos Humanos%3A 'Não houve aumento na folha'Divulgação

O levantamento do MP mostra aumento no gasto, há justificativa?

Quando o Paulo Melo (ex-secretário) assumiu em março, trouxe para cá as operações Lei Seca, Lapa Presente e o Segurança Presente, que ele criou na Secretaria de Governo. Em julho, implantou o Centro Presente. As ações resultaram num aumento do quadro. Mas não saiu um centavo do governo. As atividades são custeadas pela Fecomércio e Prefeitura do Rio e as verbas para o pagamento destes funcionários são gerenciadas pela secretaria. O dinheiro sai daqui, mas não do cofre do governo.

Mas o MP apresenta um aumento na folha por mês de R$ 823 mil, em janeiro, para R$ 3,7 milhões, em setembro.

É um bom termômetro para ver os gastos com a Segurança. Os programas do Segurança Presente (Lagoa, Aterro, Méier e Centro) absorvem mensalmente perto de R$ 2,7 milhões só com a folha de pagamento. A Lapa chega a R$ 300 mil, e a Lei Seca fica na casa dos R$ 600 mil. Esta última, custeada pelo Detran, é amplamente superavitária. O Estado recolhe tributos de multas e apreensões de veículos irregulares. Gratificações pagas pela secretaria somam R$ 825 mil. Se somar, vai notar que o número é até maior: são R$ 4,4 milhões.

Quantas agentes participam?

Perto de 1.500. A maioria PMs e civis que, na hora de folga, trabalha nas operações. Outros são civis, reservistas do Exército e que atuam filmando as operações. Temos também pessoal de apoio. Só no Centro, em pouco mais de três meses já recapturamos 76 foragidos da Justiça. No Aterro o número chega a 89, em 11 meses.

Então, não houve aumento com pessoal?

Não. Mantivemos os mesmos gastos da secretaria. Para ser exato, a SEASDH foi uma das poucas secretarias que, em outubro de 2015, atendendo a um decreto do governador, reduziu em 30% a folha.

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