Central de atendimento ‘faz-tudo’ da Polícia Civil

Com dois anos, serviço conhecido como CAC ajuda desde a agilizar registros em delegacias a desvendar crimes, resgatar reféns e encontrar parentes distantes

Por O Dia

Rio - Depois de matar um homem em Campo Grande, na semana passada, o assassino resolveu se entregar. Queria, para tanto, que a polícia fosse buscá-lo em casa. Ligou para a Central de Atendimento Cidadão (CAC) da Polícia Civil. Deu certo. Em poucos minutos, uma viatura estava em sua residência.

Delegada Adriana Mendes%3A responsável pela Central de Atendimento ao Cidadão%2C unidade que atende por telefone%2C Whatsapp%2C chat%2C e-mail e FacebookEstefan Radovicz

Funcionando há dois anos, a CAC é um serviço que começou com o intuito de auxiliar pessoas no atendimento em delegacias, mas virou uma espécie de “faz-tudo”. Por chat, Facebook, e-mail e telefone, disponíveis 24 horas, a central já ajudou uma refém em cativeiro por Whatsapp e promoveu o reencontro de familiares que não se viam havia 30 anos. Dos 26.488 atendimentos solicitados desde 2014, todos tiveram retorno, segundo a CAC.

“Aqui a gente mata a cobra e mostra o corpo para provar que morreu”, brinca a delegada Adriana Mendes, à frente da unidade há um mês. Assim que recebe a queixa, a equipe da central tenta resolver a situação de forma imediata. Logo depois, retorna com a solução ao reclamante.

“Se alguém liga e diz que um agente não quer registrar um crime na delegacia, entramos em contato com o chefe de investigação e retornamos a ligação com uma orientação”, afirmou a delegada, que já foi corregedora . Todos os casos são detalhados em um relatório e encaminhados ao Chefe de Polícia mensalmente.

“A maioria dos registros é relacionada a dúvidas no preenchimento do sistema de ocorrência online. Em seguida, temos as denúncias. Depois, reclamações de mau atendimento em delegacias e elogios a policiais”, diz Adriana, que conta com uma equipe de 25 agentes que se revezam em plantões.

A delegada relata que entre os casos classificados como “maus atendimentos” mais encontrados estão: recusa em realizar a ocorrência por achar que não se trata de um delito; recusa no registro por não ser a delegacia mais perto; encaminhamento para registro online.

"Se a pessoa for à delegacia, o agente tem que realizar a ocorrência. Não pode enviar para outra unidade ou pedir para fazer o registro online”, disse. Quem se deparar com essas situações, pode entrar em contato imediatamente com a CAC, que irá ligar para um supervisor do agente e descrever a situação.

Os policiais que recebem queixas em seu currículo são incluídos em uma lista para, em caso de reincidência, passar por uma reciclagem.

A origem da unidade está ligada à extinta Delegacia Supervisora, que atuava como um órgão da corregedoria. O projeto é pioneiro na policia brasileira e começou cobrindo os problemas em apenas oito unidades. Agora, atende a todo o estado do Rio, com sede fixa na Cidade da Polícia. 

Caso Ryan Lochte: solução a partir de chat com a CAC

Um crime polêmico ocorrido na Rio 2016 foi solucionado com papel decisivo da Central de Atendimento ao Cidadão: o caso do nadador Ryan Lochte. Ele afirmou que, juntamente com outros três colegas de equipe, foi assaltado por homens que pareciam ser agentes de segurança.

No entanto, às 6h de 7 de agosto, o barulho típico de chamada por chat tocou na CAC, na Cidade da Polícia. Do outro lado do chat, uma testemunha do ocorrido se identificou. “Ela disse que não era nada daquilo que estavam falando, que não houve assalto. Relatou, então, que participou da abordagem aos nadadores, que estavam bêbados e vandalizaram o posto de gasolina”, conta o agente que atendeu ao diálogo online.

A partir da denúncia, o atendente convenceu a testemunha a conversar pessoalmente com a Delegacia de Atendimento ao Turista, que investigava o caso. “Foi uma das maiores mentiras contadas da história das Olimpíadas. E foi solucionado por aqui”, afirmou. 

Resgate de vítima por GPS

Um dos casos que a CAC tem orgulho em ter ajudado foi o resgate de uma adolescente, mantida em cativeiro pelo namorado, em setembro deste ano.

Aos 14 anos, D.M.M. viajou, sem o consentimento da família, com o namorado — que tinha envolvimento com o tráfico de drogas — para a Região dos Lagos. Quando ela quis voltar, ele a ameaçou, tirou seu celular e a manteve em cárcere.

Após oito dias, em um descuido do seu sequestrador, ela conseguiu pegar o celular e entrou em contato, via Whatsapp, com o tio, que procurou a polícia. No entanto, após ir em duas delegacias, ele não conseguiu atendimento.

Resolveu, então, ligar para a CAC. “Pedimos para ele passar o nosso número de Whataspp para a sobrinha. Ela, então, como não podia falar ao telefone, somente escrever, passou a localização do cativeiro através do GPS do celular. “Passamos a situação para a delegacia mais próxima, que fez o resgate”, afirmou o inspetor João Werneck, 46 anos, supervisor da Central. 

Casos da CAC

REENCONTRO
Em novembro, Valmiro Pitzer, morador da Paraíba, ligou para a CAC pedindo para localizar seu tio que estava no Rio, longe da família havia 30 anos. Um atendente localizou o parente e repassou o telefone a Valmiro. Dias depois, a CAC recebeu a seguinte mensagem: “Senhor Sérgio, para a nossa família seu ato uniu uma mãe de 84 anos sem notícias do seu filho há mais de 40. Ela está muito emocionada. Nossa família vai orar pelo senhor”.

MÃE DO TRAFICANTE
Uma mulher paulista, mãe de um traficante da facção PCC, ligou querendo saber se o filho que foi visitar o Rio estava vivo. Recebeu a informação de que ele se encontrava preso em Bangu. Enviou, em agradecimento pela informação, uma foto dela, sorridente, para os policiais.

ESTELIONATÁRIO
Em julho deste ano, o gerente de um hotel da Zona Sul percebeu que um golpista se hospedava no local. Ligou para a CAC que avisou a 12ª DP (Copacabana). Uma viatura foi ao local e encontrou o hóspede com diversos documentos falsos. Ele foi indiciado por estelionato.

ALERTA DE ROUBO
Em outubro, um cidadão entrou em contato com a CAC reclamando que, após fazer um registro de ocorrência em uma delegacia da Baixada Fluminense, relatando que seu carro havia sido roubado, não foi realizada a inclusão do veículo no sistema de roubos. A CAC, então, entrou em contato com o titular da delegacia, que fez o alerta de roubo para o veículo.

MANDADO DE PRISÃO
Homem entrou em contato com a CAC para dizer que viu os assassinos do seu filho em uma rua. A CAC avisou à Delegacia de Homicídios, que cumpriu os mandados de prisão. 


SERVIÇO CAC
Telefones: (21) 2334-8823 ou 2334-8835, pelo chat https://cacpcerj.pcivil.rj.gov.br/, pela página do Facebook CAC PCERJ (Oficial) e pelo Whatsapp (21) 98197-2424.

Últimas de Rio De Janeiro