Saúde pública agoniza na fila de espera

Ronda pelas unidades revelou vazamento de esgoto, superlotação e falta de medicamentos

Por O Dia

Niterói - A saúde em Niterói anda mal das pernas. Falta de insumos e medicamentos, salários atrasados, superlotações, reformas inacabadas e carência de atendimento emergencial. Em um giro pelas unidades públicas, O Dia Niterói encontrou diversos problemas no atendimento à população, que parece resignada com a situação.

Servidores estão em greve desde o dia seis deste mêsAlexandro Auler / Agência O DIA

Na última semana, o encanamento de esgoto da única UTI neonatal da rede pública da cidade, que fica no Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL), foi rompido causando um desabamento de parte do teto da unidade. Segundo técnicos de enfermagem do hospital que preferiram não se identificar, os bebês que estavam no local foram transferidos para a Unidade Intensiva, onde ficam outros recém-nascidos acompanhados dos responsáveis.

Única UTI neonatal de Niterói está fechada após vazamento de esgoto no local Foto do leitor


“O problema é que aumenta muito o risco de infecção dessas pessoas”, disse um funcionário. Um outro técnico conta que a UTI neonatal ficou suja de fezes e até placentas foram encontradas com o rompimento.

A direção do HEAL informou que não houve alagamento e nem prejuízo à assistência dos pacientes e o reparo está sendo providenciado.

Já o Hospital Universitário Antônio Pedro pretende fechar as portas para o atendimento a novos pacientes com câncer a partir do dia 1º de maio. Os motivos são os atrasos nos repasses de verba e a deficiência de medicamentos. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, pacientes que já estão em atendimento não sofrerão com a suspensão.

No Hospital Municipal Carlos Tortelly, algumas pessoas estão sendo acomodadas no corredor. A esposa de um paciente internado diz que vem em uma Via Crucis com o marido que sofre de problemas cardíacos. “Estávamos em uma policlínica sem monitoramento e a administração nos transferiu para cá, mas aqui não tem a medicação que ele precisa”, desabafou a jovem que preferiu não se identificar.

E do lado de fora do hospital, ambulâncias do SAMU estão abandonadas. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) não informou o motivo, mas disse que providências estão sendo tomadas para a retirada dos veículos.

A prefeitura informou ainda que a oferta de medicamentos está sendo regularizada. Por conta de reajuste de preços, foi elaborada uma nova licitação de compra.

Já o novo Centro de Diagnóstico por Imagem do Estado, o Rio Imagem II, que deveria ter sido entregue em janeiro deste ano, continua com o terreno vazio. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a prioridade no momento é para a manutenção da rede. Quanto à entrega do prédio, o órgão informou que “as obras estão tendo a liberação de recursos readequada e, consequentemente, o cronograma de execução das também”. 

Últimas de Rio De Janeiro