Cariocas no caminho da reciclagem

Comlurb já conta com 26 caminhões especiais de coleta. Expectativa é reaproveitar 40% do lixo

Por O Dia

Rio - A coleta seletiva da Comlurb foi implantada no Rio em 2002, mas muitos cariocas ainda não conhecem o caminho das pedras para contribuir com o método mais sustentável de descarte. O serviço já conta com 26 caminhões que atendem a 113 bairros, mas quem mora fora da rota atendida pode depositar seu lixo reciclável em um dos dez postos de entrega voluntária. Atualmente, a empresa recicla em média 5% do material coletado, mas a meta é chegar a 40%.Para Fabiano Araújo, coordenador do programa de coleta seletiva da Comlurb, os cariocas devem ter consciência do impacto ambiental do descarte de seu lixo.

Serviço de retirada do lixo reciclado está em 113 bairros. Dez postos de entrega também funcionam na cidadeDivulgação


"Procurar o caminho ambientalmente correto é responsabilidade do poder público e dos cidadãos. Reciclagem economiza água, energia, reduz a poluição e evita a extração de mais matérias primas da natureza".Segundo o coordenador, o volume de lixo recolhido varia de acordo com a época do ano, mas a coleta vem crescendo.

"Quando começamos, em 2002, recebíamos 80 toneladas de resíduos por mês. Hoje já chegamos a bater a marca de 2.100 toneladas por mês, mas o volume depende da época do ano, quantas pessoas estão na cidade, a situação econômica e o poder aquisitivo da população", explicou.Apesar de altos, os resultados podem ser ainda melhores.

"Calculamos que até 40% do lixo poderia ser reaproveitado. É uma questão da sociedade se conscientizar e aderir à prática", disse o coordenador.Além do interesse individual, a implantação de sistemas de coleta em prédios e condomínios também está crescendo. Tania Maria Oliveira, moradora da Tijuca, comemorou o sucesso da coleta seletiva no edifício onde mora.

"A princípio pode parecer muito complicado, ou não tão interessante, mas os moradores foram se disciplinando e compreendendo a importância. Instalamos as caçambas separadas na área de lazer do prédio, deixamos bem sinalizado, fica tudo limpo. Se o processo for bem conduzido, funciona e podemos fazer a nossa parte".

Além de minimizar o prejuízo ambiental, a reciclagem também gera emprego e renda: a Comlurb entrega o lixo coletado a 22 cooperativas de catadores que fazem a triagem do material recolhido e vendem a atravessadores e eles repassam às indústrias para o reaproveitamento. Para Evelin Marcele, presidente de uma cooperativa de Irajá, é importante que as pessoas conheçam o trabalho das cooperativas e contribuam com a coleta: "O que para muitos é lixo, para nós se torna valioso. Desses resíduos, tiramos a sobrevivência, um salário digno, colocamos comida na mesa das nossas famílias", enfatizou.Ainda segundo Evelin, é chamar o cidadão à responsabilidade.

"A destinação correta do resíduo precisa ser feita por todos que consomem. Quando você compra algo, não é só o conteúdo, é também a embalagem. E se você recicla, ela volta para o ciclo produtivo, vai parar numa cooperativa, gera grande economia de recursos. E queremos inserir a figura do catador na divulgação da coleta seletiva, para que as pessoas entendam a importância disso tudo", destacou.

Processo deve começar em casa

O caminho do lixo reciclável começa nas residências: os moradores devem higienizar os resíduos e embalar em sacos transparentes ou translúcidos. Nos dias de coleta, basta deixar o lixo na calçada até duas horas antes do horário previsto para a passagem do caminhão.

A listagem de ruas atendidas e horários está disponível no site da Comlurb. Quem desejar, também pode levar seu lixo a um dos postos de entrega voluntária. Há unidades em Marechal Hermes, Botafogo, Parada de Lucas, Bangu, Tijuca, Botafogo, e
três postos na Ilha do Governador.

Os resíduos são selecionados manualmente pelas cooperativas de catadores, entregues a atravessadores e vendidos a indústrias, que reprocessam e reaproveitam os materiais.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone de atendimento da prefeitura, o 1746. 

Reportagem da estagiária Nadedja Calado, sob supervisão de Angélica Fernandes

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