Marcus Veras interpreta personagem dramático no filme 'O Filho Eterno'

Longa-metragem chega nesta quinta-feira aos cinemas

Por O Dia

Rio - O ano é 1984. Um pai está eufórico com o nascimento do seu primeiro filho. Depois do parto, vem a surpresa: o bebê tem síndrome de down. A mãe não fica abalada. Já o mundo do pai desaba — chegando ao ponto de ele, de maneira torta, desejar “consertar” o filho. A caminhada para a redescoberta desse amor paterno é o ponto de partida do filme ‘O Filho Eterno’, que chega hoje aos cinemas. O longa é baseado no premiado romance homônimo de Cristóvão Tezza. 

Marcus Veras em cena do filme 'O Filho Eterno'Divulgação

“Nossa primeira preocupação foi a de não transformar esse cara em um vilão. Ele tem atitudes questionáveis. Desde que esse filho nasceu, ele tenta fazer algo por ele, e de uma maneira que pode criar uma reação, ‘p... não é assim que se faz!’. E o ama de maneira questionável. É algo que acontece com muitos pais”, avalia Marcos Veras, que vive Roberto, seu primeiro personagem dramático. “Antes de ser comediante e humorista, sou ator. E como ator posso ser comediante, fazer drama, comédia... Posso fazer o que pintar. Sou um cara inquieto e venho tendo novas oportunidades”, completa.

MAIS DA TRAMA

No longa com direção de Paulo Machline, Roberto (Veras) é casado com Cláudia (Débora Falabella) e a chegada do filho, Fabrício (Pedro Vinicius), evidencia problemas latentes na personalidade do pai e no relacionamento com a mulher. “É um filme necessário porque fala de amor. E o amor é algo que estamos deixando de lado ultimamente. O filme pode mudar a ótica de certos pais, escolas ou pessoas em relação ao preconceito. Somos muito preconceituosos mesmo, e de forma velada”, explica.

O próprio Veras confessa ter aprendido muito com o longa e com a convivência com Pedro. “Ele ajudou a mudar minha visão sobre a vida. Ele vive feliz 24 horas por dia. Quando olhei aquilo, aprendi sobre o amor, e passei a olhar para os meus problemas de uma forma mais leve”, alegra-se.

PARCERIA COM PEDRO

Para Marcos, a beleza na história do filme está em falar sobre as dificuldades de criar um filho, independentemente de a criança ser portadora de necessidades especiais ou não. “Fui seduzido pela história, que é muito respeitada e conhecida, além de ser forte e delicada ao mesmo tempo”, frisa.

Foram quatro semanas rodando em Curitiba. Além disso, Veras teve 15 dias de preparação com Pedro, para criar laços. Mas nem foi preciso tanto, pois em 30 minutos eles já não se desgrudavam. Apesar de em algumas cenas o personagem mostrar irritação e falta de paciência, era só na frente das câmeras. Nos bastidores era tudo mesmo na base da amizade. “Ele é uma criança epecial, no sentido mais amplo da palavra. Doce, amorosa, inteligente, dono de um humor que faz inveja a muita gente. Eu me apeguei muito a essse menino, foi muito tranquilo trabalhar com ele. Entendeu que estávamos ali fazendo um filme e se divertiu. Eu falava: ‘Vou brigar de brincadeira, mas depois a gente se abraça, tá bom?’”, lembra.

DÉBORA FALABELLA

Pela primeira vez, Veras contracena com Débora Falabella, e ele conta que a parceria e a intimidade foram naturais, e que viraram amigos depois do longa. “Conversamos muito sobre a relação desse casal. Como é esse pai, como é essa mãe, a força dela. Era importante mostrar o contraponto desse pai. Pretendo ter outros trabalhos com ela, é uma atriz incrível”, torce.

SONHO DE SER PAI

Com 36 anos e casado há cinco com a atriz Júlia Rabello, Veras fala sobre o sonho dele e da mulher de terem um filho. “É uma vontade nossa. Não temos uma data específica, é algo que a gente fala. Mas ter um filho é difícil, criar é difícil. Ainda mais criar no mundo violento e sem amor que a gente vive. Isso independe de síndrome”, salienta.

BANHO DE XIXI

Durante as filmagens, Veras ainda levou um jato de urina de um bebê que contracenava com ele. “Foi sensacional, ele fez xixi na hora em que meu personagem dava banho nele e a câmera estava rodando. Nem sabia se ia entrar, mas a cena entrou”, diverte-se. 

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