'Sou avô que faz bagunça', diz Paulo Goulart a Thalita Rebouças

Escritora recebe do DIA a missão de entrevistar o ator, para antecipar as homenagens ao Dia dos Pais

Por O Dia

Paulo Goulart e Thalita RebouçasPaulo Alvadia / Agência O Dia

Rio - Thalita Rebouças está nervosa. Após dez anos longe de um bloquinho, de uma caneta e de um gravador — ferramentas indispensáveis no dia a dia de um repórter —, ela recebe do DIA a missão de entrevistar o ator Paulo Goulart para antecipar as homenagens ao Dia dos Pais.

“Quanta responsabilidade! Não sou mais jornalista há muito tempo, desde que me disfarcei como escritora”, brinca Thalita, que se dedica à literatura desde 2001 e já vendeu mais de um milhão de livros para o público adolescente.

A identificação entre os dois é imediata. Eles conversam como se fossem amigos há décadas. O entrevistado até ensina à escritora uma receita de macarrão com queijo. “Como ele é fofo”, derrete-se Thalita.

Assim como Armando, personagem de seu livro ‘Fala Sério, Pai’, Paulo, de 80 anos, também tem três filhos: Bárbara Bruno, Beth Goulart e Paulo Goulart Filho, o Paulinho, de seu casamento de 59 anos com a também atriz Nicette Bruno. ‘Fala Sério, Pai!’, aliás, pode ser adquirido com desconto pelo leitor do DIA (veja o quadro da promoção). Paulo ganhou um exemplar autografado. Foi o primeiro dos muitos presentes que deve receber pelo Dia dos Pais, no próximo domingo, quando estará ao lado dos filhos, netos e bisnetos para um almoço especial.

THALITA REBOUÇAS: Na sua opinião, qual é a principal função do pai?
PAULO GOULART: Ser um bom amigo. É claro que cada pai encontra sua maneira de criar os filhos. Mas o parentesco já está implícito na relação. É bom surpreendê-los. Não há cobranças numa relação entre amigos. Gosto de perceber que eles confiam em mim. Eu confio muito neles.

O senhor e a Nicette se casaram cedo, né? Demoraram muito para ter filhos?
Me casei aos 21 anos. Ficamos dois anos sem filhos. Éramos muito jovens. Para ter filho é preciso uma habilidade muito grande do casal. A primeira foi a Bárbara (atriz, 57 anos).

Eles deram trabalho?
Um pouco. Anos atrás, ainda existiam mulheres virgens (risos). E meu filho tirou a virgindade de uma moça. Ali, eu demonstrei ser amigo. Fui acalmar o pai da menina, que tinha fama de ser pistoleiro.

E com suas filhas, o senhor era ciumento?
Muito (risos). Fui muito namorador na adolescência. Não foi à toa que a Bárbara se casou aos 18 anos. Eu ficava em cima!

Elas conversavam com o senhor?
Falavam mais com a Nicette. Eu sempre ficava com a palavra final. Era uma combinação minha com ela.

Ah, eu sempre soube que havia uma combinação entre os pais!
É que as mulheres são mais pacientes. Bem mais equilibradas que os homens. Somos muito ansiosos, imediatistas.

Os três são atores. A escolha deles tem alguma interferência sua?
Cada um tem sua historinha. A Bethinha dizia que queria ser atriz quando era bem pequena. Eu dizia que era muito cedo, para deixar para mais tarde. Mas não teve jeito. Aos 13 anos, ela já estava nos palcos. A Bárbara e o Paulinho seguiram outros caminhos antes de decidirem pela profissão. Ele fez faculdade de Educação Física, ela se formou em Publicidade e trabalhou em uma agência. Eles precisaram experimentar outras coisas para confirmarem que o gosto pela arte estava no DNA.

E o que o senhor gostava de fazer na adolescência?
Eu adorava dançar. Gosto até hoje. Danço muito bem. Aos 15 anos, lembro que tentava sempre entrar em um clube da minha cidade. Mas não deixavam porque eu era menor de idade. Você sabe que acabei passando esse gosto para eles também? Meus filhos gostam muito de música e dança.

Como era sua relação com seu pai, o radioamador Afonso Miessa?
Meu melhor amigo foi meu pai. Eu adorava pescar com ele na adolescência. Morávamos em Olímpia, uma cidade no interior de São Paulo. A turminha jovem não costumava sair com o pai, eu era exceção.

Lembra das bagunças que fazia quando era criança?
Eu sempre gostei de arroz empapado. Lembro que aproveitava a distração da minha mãe para jogar muita água no arroz. Aí, via ela reclamar: ‘Nossa, errei a mão nesse arroz’. Era culpa minha! (risos).

O senhor sabe cozinhar?
Um pouco. Tenho que saber. Aqui em casa, todos são bons de garfo (ele pede para a secretária buscar o livro de receitas ‘Grandes Pratos e Pequenas Histórias de Amor’, que escreveu com Nicette em 1998, e o autografa para Thalita). Tem um prato que eu sei fazer muito bem.

Qual o nome?
É o macarrão para depois.

O que é ‘Macarrão Para Depois’?
Ué, é o macarrão que eu faço para ela depooois (ele dá um sorriso malicioso).

E no próximo domingo? A família estará reunida?
Adoro a casa cheia. Como casei muito cedo, aos 39 eu já era avô. Tenho duas bisnetas, inclusive. A única parte chata disso tudo é que a gente precisa conciliar os casamentos desfeitos dos filhos. Temos que entender quando os netos precisam ficar com os outros avós, por exemplo. Mas vamos nos reunir por aqui no Dia dos Pais. Gosto que todos fiquem à vontade na minha casa.

E como é o Paulo Goulart avô? Já se vestiu de Papai Noel?
Sou um avô bagunceiro, embora não pareça. Já me vesti, sim, mas não gostei. Eu comecei a me mexer muito. Logo as crianças perceberam que era eu fantasiado. Disfarcei muito mal.

PROMOÇÃO

Para participar da promoção, basta recortar os cupons publicados hoje, amanhã e depois no DIA, juntar R$ 13,90 e trocar nas bancas, que são postos de troca, pelo livro ‘Fala Sério, Pai!’, de Thalita Rebouças. As trocas podem ser feitas a partir do dia 07 de agosto.

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