Ataques do Boko Haram fizeram 900 mil nigerianos abandonarem suas casas

Grupo radical islâmico sequestrou 80 pessoas em Camarões; Em Paris, centenas protestaram neste domingo em solidariedade aos nigerianos

Por O Dia

Brasília - O clima de terror que os ataques do grupo radical islâmico Boko Haram espalharam pelo Nordeste da Nigéria nos últimos meses já obrigou cerca de 900 mil nigerianos a deixar seus lares e pertences e migrar para outras localidades em busca de proteção, comida e medicamentos. Supostos combatentes do grupo radical teriam ainda sequestrado 80 pessoas em Camarões, muitas delas crianças. Eles ainda mataram três em um ataque na fronteira em aldeias no norte do país, disseram autoridades militares e do governo.

Os frequentes ataques do Boko Haram na África motivaram ainda um protesto neste domingo em Paris, que também está sendo alvo de ações de grupos radicais islâmicos. Centenas de franceses foram neste domingo à Praça do Trocadero para uma manifestação contra os crimes cometidos pelo Boko Haram no nordeste da Nigéria. No dia 7 de janeiro, um ataque terrorista matou 12 pessoas no periódico satírico Charlie Hebdo, na capital francesa. A polícia nacional já prendeu vários suspeitos de participaram do ataque. 

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Na Nigéria, segundo a Agência Nacional de Gestão de Emergência (Nema), o total de deslocados pela ação extremista do Boko Haram, na última quinta-feira, chegava a 868.235. Parte dessas pessoas em fuga está abrigada em um dos 20 acampamentos montados pelas autoridades nigerianas para receber os necessitados.

Além dos que fogem do Boko Haram, os acampamentos abrigam uma parcela dos 66.087 nigerianos afetados por desastres naturais recentes. Segundo o diretor de Busca e Salvamento da agência, Charles Otegbade, apenas os cinco campos que mais receberam refugiados abrigavam, há quatro dias, 389.284 pessoas. Só Adamawa havia recebido, na quinta-feira, 123.601 nigerianos e 125.991 estavam em Yobe. Em Taraba, havia 81.790, além de 11.483 em Gombe e 46.419 em um espaço do estado de Bauchi.

Só da cidade de Bago, principal alvo da ação do Boko Haram, cerca de 3,2 mil pessoas buscaram abrigo em campos da região. Imagens de satélite divulgadas esta semana pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch mostram que a cidade às margens do Lago Chade, no estado de Borno, foi praticamente dizimada. Em colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a Nema tem distribuído alimentos, água, medicamentos, roupas, cobertores e outros artigos essenciais.

A violência tem obrigado muitos nigerianos a cruzar as fronteiras com países vizinhos. Camarões e, principalmente, a República do Níger receberam vários desses desalojados. No Níger, segundo a Cruz Vermelha, mais de 25 mil pessoas receberam ajuda humanitária desde outubro do ano passado.

"Além de dar assistência aos feridos, precisamos fornecer, com urgência, alimentos, água potável e artigos básicos para as milhares de pessoas – a maioria mulheres e crianças – que continuam fugindo da violência", diz o chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Loukas Petridis, em um comunicado em que a organização humanitária afirma que os confrontos e a segurança precária têm esvaziado as cidades e povoados fronteiriços no Nordeste da Nigéria.

Já Charles Otegbade garantiu que o governo nigeriano vem se empenhando para repatriar essas pessoas.

Daqui a menos de um mês, a Nigéria realizará novas eleições presidenciais e legislativas, mas segundo o presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (Inec), Attahiru Jega, é pouco provável que o pleito ocorra em áreas ocupadas pelo Boko Haram. “Há áreas ocupadas por insurgentes e, obviamente, é lógico que as eleições não são suscetíveis de ocorrer nessas áreas”, disse Jega essa semana.

Na última quinta-feira, o atual presidente, Goodluck Jonathan, que concorrerá à reeleição, fez uma visita surpresa a Maiduguri, onde conversou com civis refugiados em um acampamento e soldados que lutam contra o grupo radical. Jonathan não viajava à região desde o primeiro semestre de 2014, quando foi declarado estado de emergência.

Sequestros em Camarões seriam um dos maiores no país

Os sequestros, um dos maiores em solo camaronês desde que os militantes começaram a expandir sua zona de operações em toda a fronteira no ano passado, ocorre no momento em que o vizinho Chade implanta tropas para apoiar as forças de Camarões na área.

"De acordo com as informações iniciais, cerca de 30 adultos, a maioria deles pastores, e 50 meninas e meninos entre 10 e 15 anos foram sequestrados", disse à Reuters um oficial sênior do exército implantado no norte de Camarões.

Ele disse que o ataque no início da manhã tinha como alvo a aldeia de Mabass e várias outras aldeias ao longo da fronteira com a Nigéria. Soldados intervieram e trocaram tiros com os sequestradores por cerca de duas horas, acrescentou.

O porta-voz do governo, Issa Tchiroma, confirmou o ataque, em que três pessoas haviam sido mortas, segundo ele, bem como a sequestros, mas não foi capaz de dizer com certeza quantas pessoas tinham sido tomadas no ataque. Cerca de 80 casas foram destruída, disse ele.

Com Agência Brasil e Reuters


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