Editorial: Dança das cadeiras no comando da PM

A ida de um ex-comandante do Bope para um batalhão em cujo pátio estacionavam-se carros de luxo passa, sim, uma imagem moralizadora

Por O Dia

Rio - A ida de um ex-comandante do Bope para um batalhão em cujo pátio estacionavam-se carros de luxo passa, sim, uma imagem moralizadora. René Alonso assume o 3º BPM (Méier), como O DIA mostrou com exclusividade na quarta-feira, com a missão de sanear a unidade e livrá-la das rotinas de malfeitos, escancarados na Operação Amigos S/A, que prendeu seis oficiais — e também jogou suspeitas de desvios sobre a alta cúpula da Secretaria de Segurança.

Mexeu-se em outros seis batalhões, três deles na Baixada, onde promoveu-se um rodízio regional de comandantes. Novas lideranças tendem a rever procedimentos e a acabar com regalias, sobretudo em momentos de suspeição. Mas não é exagero questionar até que ponto essas mudanças surtirão efeito.

Não é de hoje que existem policiais corruptos, e pela primeira vez se noticia que o mar de lama chegou ao oficialato. Com uma banda podre supostamente cada vez mais enraizada, a ciranda de comandantes talvez não seja o suficiente. Como não há gerentões do Bope o bastante, é necessário repensar a gestão de batalhões e criar mecanismos permanentes contra o mau policial — do contrário, o entra e sai de coronéis será tão-somente festinha nos quartéis.

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