Editorial: Baía: jogo de parâmetros não reduz a vergonha

A mídia sempre buscou os pontos fracos de todas as sedes olímpicas e com alguma satisfação os alardeou. Não seria diferente com o Rio

Por O Dia

Rio - Contestar o ‘teste-bomba’ que encontrou índices alarmantes de poluição na Baía de Guanabara, na Lagoa e em Copacabana não altera a realidade: independentemente de parâmetros, acusações ou vieses, a água nesses locais está longe do ideal. Não é necessário encomendar estudos para confirmar isso. O Grande Rio ainda está muito aquém do tratamento e da contenção de esgoto desejáveis para dar chance de mínima recuperação à Baía, por exemplo. O problema é que falta muito pouco tempo para soluções efetivas.

A mídia sempre buscou os pontos fracos de todas as sedes olímpicas e com alguma satisfação os alardeou. Não seria diferente com o Rio, cuja escolha, seis anos atrás, rompeu paradigmas históricos. Desde aquela época a qualidade das águas ensejava cuidados. Já se prometiam ali mundos e fundos.

Quando da eleição da cidade, estava a cabo um programa de despoluição para a Baía e para a Lagoa. Hoje, dez anos depois de sua implantação, e tendo sido gastos R$ 10 bilhões, pouco de concreto se coleta. Estações de tratamento trabalham abaixo da capacidade porque o grosso do esgoto ainda é despejado in natura em muitos cursos d’água.

Espera-se serenidade na condução da questão, sem factoides, sem utopias, com muito trabalho, total responsabilidade e a humildade de aceitar alternativas, como usar outras praias e raias. Forçar orgulho não esconde o óbvio: a questão ambiental da orla carioca é infelizmente uma vergonha.

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