Projeto básico de ciclovia não previa impacto de ressacas do mar

Queda de estrutura, na última quinta-feira, provocou a morte de pelo menos duas pessoas

Por O Dia

Rio - O projeto básico de construção da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, em São Conrado, na Zona Sul, não previa o impacto das ressacas do mar. A queda da estrutura, na última quinta-feira, provocou a morte de pelo menos duas pessoas. Divulgado na noite desta segunda-feira no RJTV, o documento foi analisado pelo engenheiro da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Moacyr Duarte. Em entrevista ao jornal, o especialista afirmou que não foi considerado em nenhum ponto a possibilidade de o mar atingir a passarela de baixo para cima.

Ciclovia caiu na última quinta-feira e deixou duas pessoas mortasFernando Frazão / Agência Brasil

"A ciclovia tem estrutura construtiva semelhante a uma que cruza a Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, e a Avenida Brasil. Não foi bem as ressacas que eles ignoraram, eles ignoraram que a onda, a ressaca quando atinge, a linha da ressaca, quando ela atinge a costa, ela dissipa energia de forma diferentes, dependendo do ângulo da costa que você está considerando", destacou Duarte, no RJTV.

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Além disso, o engenheiro disse ainda que o estudo foi "simplório e insuficiente". Para ele, era preciso ter mais detalhes no documento, já que "é um costão rochoso de inclinações variadas, onde as vagas, as ondas batendo, elas se comportam de maneira muito diferente". "Faltou uma análise por seguimento do costão, para os vários sentidos da onda", completou.

Em nota, o Consórcio Contemat/Concrejato informou que executou todos os requisitos técnicos previstos e que as obras dessa complexidade são orientadas por um projeto básico, desenvolvido com "estudos técnicos de viabilidade". Segundo a empresa, a fiscalização das obras foi exercida pela contratante e que não foi apontada nenhuma irregularidade.

Já a prefeitura afirmou que a Secretaria Municipal de Obras disse que o projeto básico é apenas "conceitual" e é visto como referência para o desenvolvimento do projeto executivo, no qual há detalhes sobre a execução técnica da obra.

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