Sérgio Cabral: Da ascensão à queda

A trajetória de um governador que foi eleito duas vezes com recorde de público e que enfrentou momentos turbulentos nos últimos anos de mandato

Por O Dia

Rio - Preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal, Sérgio Cabral foi governador do Rio por sete anos e três meses. Ao fim do mandato passou o bastão ao então vice-governador Luiz Fernando Pezão, que acabou eleito em 2014.

Sérgio Cabral%2C ex-governador do Rio%2C foi preso por agentes da PFArquivo

Primeiro governador reeleito do Rio, que obteve em 2010 a maior votação histórica do estado (5,2 milhões de votos no 1º turno), Cabral teve o mandato manchado pela tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza e por questões pessoais, como viagens frequentes ao exterior, uso de helicópteros para transportar animal de estimação da família e ausência em grandes tragédias, como a de Angra dos Reis, em janeiro de 2010.

Em 2014, Cabral passou o bastão para o seu vice, Luiz Fernando Pezão, atual governador do Rio que enfrenta situação de calamidade no estadoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Enfrentar as ruas, seja por manifestações de servidores ou de passeatas pela melhoria no transporte público, foi um dos desafios de Sérgio Cabral nos anos de 2011 e 2013. E declarações polêmicas, como chamar de “vândalos” bombeiros que reivindicavam melhores condições de trabalho queimaram quartel; médicos faltosos, de “safados”, e professores estaduais de “vagabundos” marcaram o período Cabral no Palácio Guanabara.

Em meio aos ânimos alterados, Cabral ainda teria perdido oportunidade de agradar às ruas na área de mobilidade urbana, para a qual o governo federal liberou recursos de R$ 50 bilhões, após eclodirem as manifestações populares, em junho de 2013.

Manifestações de julho de 2013 revelavam baixa popularidade de Sérgio CabralAlexandre Brum/Agência O Dia

No dia 3 de março de 2014, o então governador do Rio de Janeiro renunciou ao cargo devido à pressão da oposição e aos escândalos que o peemedebista participou. As relações do ex-governador com o empreteiro Fernando Cavendish foi exposta em 2011 após um grave acidente que culminou na morte da namorada do filho de Cabral, Marco Antônio Cabral, e a esposa do empresário dono da Delta. O jatinho em que as sete pessoas estavam foi emprestado por Eike Batista.

A Delta tinha contratos de R$ 1 bilhão com o Estado do Rio e fazia parte do consórcio responsável pela reforma do Maracanã. Todos estavam reunidos na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish.

Maracanã em obras%3A Empreiteira de Cavendish%2C Delta tinha contratos de R%24 1 bilhão com o estado do Rio e fazia parte do consórcio responsável pela reforma do estádioReprodução Internet

Em 2012, Cabral mais uma vez se viu no olho do furacão quando o também ex-governador Anthony Gatotinho expôs gastos pessoais do político. Novas suspeitas sobre a relaçao de Sérgio Cabral e Cavendish foram levantadas.

Garotinho tornou públicas imagens de 2009 onde Cabral aparece em uma festa com Cavendish e outros secretários do governo com guardanapo na cabeça, durate um show da banda U2, em um restaurante na França. A farra foi regada a muito luxo. 

Na época, o ex-governador emitiu comunicado que dizia nunca ter negado a amizade com o empreiteiro: "Nunca neguei minha amizade com o empresário Fernando Cavendish. Jamais imaginei e, muito menos tinha conhecimento, que a sua empresa fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro. Quando assumi o governo, a Delta já era uma das maiores empreiteiras do Rio e do Brasil. Nunca na minha vida misturei amizade com interesse público". 

Sérgio Cabral e Cavendish eram amigos e participaram de festas regadas a luxo com secretários do governo%2C esta foi em Paris%2C com dinheiro a show do U2Arquivo

Em 2013, durante os grandes protestos no Rio, foi revelado que os gastos mensais do governo somente para manter helicópteros para viagens de fim de semana na casa de praia com a família e o cachorro de estimação em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, ultrapassavam os R$ 300 mil.

Em 2016, durante depoimento, Cavendish revelou ter comprado, em 2009, um anel avaliado em 220 mil euros (R$ 800 mil) para Adriana Ancelmo, mulher do governador. Que foi devolvido assim que a amizade dos dois chegou ao fim. Um carro modelo Ford Ranger que Cavendish deu ao amigo também foi registrado em depoimento.

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