Parasita é a nova ameaça à saúde no Rio

Protozoário antes só detectado em animais infectou 15 crianças de creche na Zona Norte

Por O Dia

Rio - Estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), divulgado ontem, mostrou que 15 crianças de uma creche de uma comunidade da Zona Norte foram infectadas por um tipo de parasito intestinal que só atingia animais como porcos, cavalos e bois. O protozoário (Giardia Lamblia) pode prejudicar o desenvolvimento e levar à desnutrição infantil em casos mais graves.

Medade antes só detectada em animais e que pode levar à desnutrição infectou 15 crianças de creche na Zona NorteFERNANDO FRAZÃO/ AGÊNCIA BRASIL

Os cientistas que conduziram o trabalho verificaram que, das 89 crianças menores de quatro anos que foram submetidas ao teste, 29 apresentaram infecção por parasitas giárdia do genótipo A – o mais comum em casos humanos no Rio de Janeiro – e 15 revelaram presença do genótipo E – considerado como causador de infecções unicamente em animais de produção.

O nome da localidade onde o estudo foi feito não foi divulgado para preservar a identidade das crianças.

Coordenadora do trabalho, a pesquisadora Alda Maria Da Cruz diz que o achado levanta novas hipóteses sobre a transmissão da infecção. “É possível que a doença esteja se disseminando em humanos a partir do contato com as fezes de outras pessoas infectadas ou de que as fezes de animais tenham um papel importante”, pondera a pesquisadora.

As manifestações mais frequentes da doença são diarreia e dor abdominal, comuns em diversas enfermidades. O diagnóstico é feito através do exame de fezes, com a detecção dos cistos de giárdia nas amostras. O tratamento para a doença é feito com dois tipos de medicamentos: metronidazol e secnidazol - que são encontrados em postos de saúde.

Amostras da água que abastece a creche foram analisadas na pesquisa, e 35 dos 36 educadores também passaram por exames de fezes. Não foi detectada contaminação. Os pesquisadores avaliaram que as crianças devem ter adquirido a infecção na comunidade onde moram. No local, a coleta de esgoto e a água tratada não chegam a todas as casas, o que facilita a disseminação do protozoário. Os cistos do parasita são resistentes ao cloro.

“O consumo de água contaminada é uma via de transmissão. O contato com superfícies contaminadas e o hábito de colocar as mãos e objetos na boca também”, explica Maria Fantinatti, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical do IOC e coautora do estudo. 

*Reportagem de Jonathan Ferreira

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