Amazon avança no setor governamental

Braço de infraestrutura tecnológica da empresa americana atende 1.500 órgãos públicos

Por O Dia

São Paulo - Criada em 2006, quando a computação em nuvem ainda engatinhava no mercado, a Amazon Web Services (AWS) — braço de oferta de infraestrutura de tecnologia da gigante varejista — é hoje um dos maiores ícones desse modelo, com uma receita global de US$ 5 bilhões. Apoiada pelo sucesso de diversas empresas novatas, que usaram seus serviços para rapidamente ganhar escala e faturar cifras bilionárias, a operação vem ajudando a derrubar barreiras e a disseminar o conceito para empresas de maior porte, de indústrias variadas. E nessa jornada, sob a mesma inspiração e espírito das start-ups, a adoção da nuvem nas esferas do setor público é uma das mais recentes fronteiras de investimento da AWS.

“Somos como uma empresa novata dentro de uma start-up”, diz Teresa Carlson, vice-presidente global da AWS para o Setor Público, citando números da divisão, que hoje atende a 1,5 mil órgãos governamentais, 3,6 mil instituições de ensino e mais de 11 mil organizações sem fins lucrativos, dentro de uma base total de mais de um milhão de clientes da AWS. “Nesse universo, esses números podem não soar tão grandes, mas estamos apenas começando. Há dois anos, tínhamos somente 300 clientes nesse mercado”, afirma. A base global de clientes da divisão inclui a CIA, a ONU, a Nasa e o Unicef.

Segundo Teresa, os fatores que começaram a despertar o interesse desse segmento pela computação em nuvem foram os baixos orçamentos para tocar projetos e as limitações impostas pelo modelo tradicional de aquisição de tecnologia. “Esses clientes tinham longos ciclos de compra, muita regulação, e se viam obrigados a adquirir um pacote completo de ferramentas que não tinham serventia para os seus projetos”, explica a executiva.

No caminho para apresentar a nuvem como uma alternativa, a AWS vem investindo em diversas frentes. Para atender aos altos requisitos de segurança e conformidade — uma exigência latente no setor e uma das barreiras para a nuvem – a empresa cooperou com o governo americano na elaboração do Federal Risk And Authorization Management Program (FedRAMP), programa que estabelece padrões de segurança para produtos e serviços nesse modelo.

A companhia foi a primeira grande fornecedora do setor a atender a esses requisitos e, a partir dessa parceria, está buscando estender a mesma abordagem a governos de outros países, como Austrália e Reino Unido. O Brasil é um dos mercados que também está no radar dessa iniciativa.

Além dessas ações, a educação de toda a cadeia ligada ao setor público a respeito do modelo de computação em nuvem permeia outras iniciativas da AWS. Em uma das pontas, a companhia está usando exemplos de start-ups extremamente populares, como Netflix, Spotify, Instagram e Airbnb, — que usam a nuvem como base para suas operações — para divulgar e facilitar a compreensão do conceito por parte de representantes do poder legislativo e de órgãos e agências governamentais em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, entre os potenciais clientes nessas esferas, a AWS vem buscando explicar o novo modelo de aquisição, bem como promover uma mudança de cultura. “Falha é uma palavra que esse setor não gosta de ouvir. Mas estamos tentando mostrar que elas são parte da inovação, e que a nuvem permite tentar novos projetos, aprender a partir dos erros, recuperar-se rapidamente e acelerar a inovação, sem investir milhões de dólares para isto”, diz.

Uma iniciativa recente na educação do mercado foi o lançamento global, há duas semanas, do AWS Educate, programa global que irá incentivar educadores e estudantes a usar tecnologias de nuvem nas salas de aula. Entre outros recursos, a ação envolve créditos na nuvem da AWS, treinamentos e acesso a fóruns de colaboração.

O Brasil é um dos mercados alvo dessa estratégia. Sede de uma das oito regiões que abrigam data centers da AWS — desde 2011 —, a operação local conta com uma estrutura dedicada ao setor público há cerca de um ano. “Um dos nossos focos é trabalhar muito próximos no apoio à comunidade local de parceiros, a start-ups e a desenvolvedores. Nesse período, vimos uma evolução muito rápida em termos de sofisticação das soluções criadas no país”, diz Jeff Kratz, líder da AWS para o Setor Público na América Latina.

Um dos projetos locais ressaltados é a Coopetec, aplicação de gamificação que vem sendo usada, por exemplo, para integrar professores e estudantes em um processo de aprendizagem colaborativa. Outro destaque é o Instituto do Sírio-Libanês, uma organização sem fins lucrativos que vem utilizando a plataforma da AWS para viabilizar um projeto de sequenciamento do genoma.

Últimas de _legado_Notícia