Segundo longa de Philippe Barcinski estreia em maio

O filme mostra a dor e a recuperação humana nos cenários de lixões e cooperativas de reciclagem

Por O Dia

Em "Entre Vales", Vicente, vivido por Ângelo Antônio, tem uma vida comum, até que uma sucessão de perdas o leva a percorrer o complexo universo da dor, de onde emergem emoções soterradas pelo cotidiano das grandes metrópoles. O novo filme de Philippe Barcinski, ambientado em lixões, aterros sanitários e cooperativas de reciclagem, tem roteiro escrito em parceria com sua esposa Fabiana Werneck Barcinski e atuação elogiada de Ângelo Antônio. O segundo longa do diretor carioca radicado em São Paulo chega aos cinemas em 08 de maio com o II Prêmio Itamaraty para o Cinema Sul-Americano e o Prêmio do Público, no 8º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, na bagagem.

Qual foi o ponto de partida para o roteiro?

Há alguns anos, comecei uma pesquisa após a forte impressão que os filmes "Estamira", do Marcos Prado, e "Boca do Lixo", do Coutinho, me causaram. Visitei o lixão do Gramacho no Rio e entrei em contato com cooperativas de catadores de lixo em São Paulo. Fiquei muito comovido com o que vi. No lixão, quase a totalidade de pessoas tem histórias muitas perdas na vida e as pessoas estão sem dinheiro, casa, higiene ou dignidade. Já nos espaços das cooperativas de reciclagem, me deparei com a recuperação. Em meio a tudo isso, pensei que seria incrível escrever uma história de perda e recuperação, um prato cheio para a construção narrativa, dramática e visual.

Mas essa é uma realidade que está perto do fim, certo?

O Brasil está encerrando as atividades dos lixões e o filme marca esse processo também, mas não se trata de um filme sobre lixo e sim de uma metáfora. "Entre Vales" é uma fábula visual da natureza humana, como ela se reconstrói. A ideia é que seja uma experiência vivenciar a jornada de Vicente e de suas emoções.

O filme se passa em São Paulo?

A história desenrola em uma grande metrópole, inspirada em São Paulo e Rio. Eu sou do Rio, mas moro em São Paulo há 20 anos e a vejo com um grande potencial fotográfico, apesar de ser mais difícil encontrar a poesia, pois é preciso fazer uma pesquisa mais densa do que em locais com paisagens naturais. Ainda assim eu a vejo como um ambiente muito instigante e plural.

Você já havia trabalhado com Walter Carvalho, que assina a direção de fotografia?

Eu o conheço há muito tempo, temos amigos comuns. Como o filme continha uma diversidade de universos reais, logo pensei nele. E foi ótimo, aprendi muita coisa, ele é um verdadeiro mestre.

Qual a perspectiva de distribuição do filme?

Circulamos em alguns festivais e nos últimos meses trabalhamos com a parte burocrática do lançamento. Estreamos em oito de maio com um pouco de atraso por conta desses acertos. O filme será exibido no circuito de arte, com estreia em duas salas no Rio e em São Paulo, além de uma sala em Belo Horizonte e uma em Recife. Trabalhamos em poucos lugares, mas com a ideia de que o filme permaneça por mais tempo, para ganhar sustentação.

Acima o diretor em sua casa na Vila Beatriz%2C em São PauloMurillo Constantino / Agência O Dia

Por que em poucas salas?

As salas do circuito alternativo estão diminuindo, as produtoras que trabalham com filmes de arte também. Em relação ao mercado brasileiro, o cinema comercial é o que tem crescido, com um número muito maior de títulos.

Você se vê como um diretor de arte ou um blockbuster?

O "Não por Acaso", meu primeiro longa, é muito equilibrado e tem elementos das duas formas, já o "Entre Vales" é um filme de arte. Meu próximo projeto terá que ter uma pegada mais comercial, provavelmente.

Casa Daros exibe painel inédito de Fabian Marcaccio

Ao percorrer um caminho sinuoso, atravessando janelas, cruzando o pátio e ocupando duas salas no primeiro andar, o imponente painel "Paintant Stories", de Fabian Marcaccio, inaugura a temporada dedicada à pintura na Casa Daros, no Rio. A obra, que tem cerca de 100 metros contínuos de extensão e quatro metros de altura, será exibida a partir de amanhã pela primeira vez nas Américas. No dia da abertura, haverá ainda uma conversa aberta ao público com o artista, às 17h, no auditório da Casa Daros.

"Paintant Stories", desenvolvida há 14 anos, se destaca na pesquisa que o artista chama de "environmental painting", onde ele investiga a sobrevivência do meio tradicional da pintura na era digital. Para isso, Marcaccio utiliza um complexo processo criativo, que funde um conjunto de imagens produzidas no computador a intervenções manuais, feitas com polímeros, silicone e tinta. Todo o procedimento utilizado pelo artista, em suas várias etapas, pode ser acompanhado na sala "Painting Lab", que acompanha a exposição. Uma das características da obra são as diferentes experiências que revela de acordo com o ponto de vista físico do espectador. De longe se percebe uma imagem, já de perto outros desenhos sobressaem aos olhos. "Essa obra faz algo com o espectador, ela é ativa e muito difícil de digerir. Carrega o caos e a ordem, figurações reais e abstratas e muitos detalhes minuciosos", explica o curador Hans-Michael Herzog.

O artista, nascido na Argentina e radicado desde os 22 anos em Nova York, chegou ao Rio há duas semanas para trabalhar na parte externa da obra, que ficará visível para o espectador que estiver no pátio. "Acho que este será meu momento preferido, porque você poderá vê-la através das janelas, e ao mesmo tempo ver as pessoas no pátio olhando para a obra, como em um anfiteatro", comenta o artista.

ONDE CONFERIR
Até 10 de agosto na Casa Daros, que fica na rua General Severiano, 159, Botafogo, no Rio

SP-Arte inicia 10ª edição com aumento de expositores e negócios

Com expectativa de superar os mais de 22 mil visitantes do último ano, a 10ª edição da SP-Arte tem início a partir da próxima terça, dia 02, no pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Nesta edição, a feira reunirá, entre os 136 expositores, algumas das galerias apontadas como as mais conceituadas do circuito mundial das artes no último ano pela revista ArtReview, como a David Zwirner, Larry Gagosian, White Cube e Franco Noero. Entre as mostras e atividades internas do evento, destacam-se ainda diálogos com os artistas Thiago Martins de Melo, Mabe Bethônico e Ana Bella Geiger, e com os curadores Pablo León de La Barra e Ivo Mesquita.

"Este ano a SP-Arte está muito mais internacionalizada, com a vinda de muitas galerias e colecionadores estrangeiros, um reflexo também da conquista da isenção de impostos (do estado de São Paulo) pelos próximos dois anos. Exibiremos algumas obras que raramente são expostas no Brasil, como as de Basquiat, Alex Katz e novos de artistas contemporâneos", explica Fernanda Feitosa idealizadora da Feira. As transações realizadas em 2012 na SP-Arte, somente pelas galerias paulistas e estrangeiras, somaram quase R$ 49 milhões. Já no ano passado, o volume mais que dobrou, atingindo R$ 99 milhões. "Nos últimos 10 anos, é visível a estruturação do setor de arte brasileiro e isso não se restringe às galerias e ao mercado. A crescente circulação das obras também é algo a ser lembrado", aponta Fernanda.

NOTAS

Vermelho exibe três individuais, em SP

Até dia 05 de abril, a Galeria Vermelho exibe os últimos dias das individuais "Neste Lugar" de Daniel Senise, "Repetição da Ordem" de Nicolás Robbio e "Escalpo Islâmico" de Dora Bahia. A galeria fica na rua Minas Gerais, 350, em São Paulo.

Um pedaço do cinema francês no Brasil

O Festival Varilux de Cinema Francês inicia no próximo dia 09/04 e fica em cartaz até 16/04 em 45 cidades e mais de 70 cinemas em todo o Brasil. O lançamento nacional do filme "Yves Saint Laurent", de Jalil Lespert, está entre os destaques do festival.

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