Fenômeno reduz faixa de areia da praia

Mudança climática, que é típica do verão, chega mais cedo, altera areia e deixa a água mais gelada

Por O Dia

Rio - Frequentadores do Arpoador praia mais famosa do Rio por conta da vista panorâmica do alto de suas pedras terão que se habituar com uma faixa de areia mais estreita e as baixas temperaturas das águas. O fenômeno, que começou há poucas semanas, foi provocado por uma mudança climática que alterou a direção das ondas. Além da orla da Zona Sul, o Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, também mudou seu cenário por conta do episódio. A previsão é de que a situação só retorne à normalidade em maio do ano que vem.

Na Praia do Arpoador%2C banhistas reclamam da água fria%2C em torno de 18 graus%2C e vendedores apontam queda no número de frequentadoresEstefan Radovicz / Agência O Dia

O oceanógrafo David Zee explica que esse fenômeno foi antecipado neste ano, pois é típico do verão. "As ondas estão vindo na direção sul e sudeste, em vez de vir pelo sudoeste, que é o normal para o inverno. Esse tipo de situação só acontece no verão. Com isso, teremos problema de erosão excessiva de areia no verão e quando tivermos ressaca no mar, a população vai ficar assustada", apontou Zee.

A queda na temperatura das águas que na orla do Rio tem atingido a média de 18 graus também está ligada a uma mudança na direção dos ventos. Assim como a faixa de areia reduzida, esse fenômeno também deve durar até o próximo inverno. "Isso é provocado porque os ventos estão soprando de leste para oeste. Normalmente as águas só ficavam bem geladas durante o verão, mas o padrão climático mundial mudou, com isso, estão surgindo fenômenos como o furacão Irma (que causou mais de 60 mortes no Caribe e nos Estados Unidos)", concluiu o oceanógrafo.

A água gelada é motivo de reclamação frequente dos banhistas. A dona de casa Maria do Livramento não aguentou chegar perto do mar. "Está tão gelada que me deu câimbra", brincou Maria.

A redução da faixa de areia do Arpoador mudou a rotina dos comerciantes, que afirmam já ter tido queda de 60% no faturamento. "Por conta do avanço do mar, as pessoas estão com medo de sentar próximo à minha barraca por receio de acidentes. Nos finais de semana, estamos deixando de ganhar dinheiro porque as famílias não querem mais ficam mais na praia", lamentou o vendedor Francisco Henrique Franco, de 32 anos. Sem espaço na areia, banhistas recorrem ao calçadão para aproveitar o passeio. "O número de banhistas diminui na areia, mas as pessoas ficam no calçadão para tentar curtir a praia", ressaltou o vendedor Napoleão Fernandes, de 65 anos.

Copacabana é reprovada

NNa avaliação quinzenal da Prefeitura do Rio, que monitora a qualidade das areias da orla, a Praia de Copacabana, na altura da Rua República do Peru, foi classificada como não recomendada. Na análise, realizada entre os dias 16 e 31 de agosto, a areia tinha o índice mais alto da pesquisa, acima de 30 mil gramas de coliformes fecais.

De acordo com o relatório, a presença de cachorros é o fator principal para areia não ser recomendada.

Das 24 praias analisadas, 17 possuem classificação ótima, com índice de até 10 mil gramas de coliformes. Entre elas estão a praia Vermelha, do Leme, Macumba, Prainha e Grumari. Já com classificação boa, são quatro e, uma delas, é o Arpoador.

Com índice regular, está a Praia de Copacabana em dois trechos: nas ruas Barão de Ipanema e Souza Lima. Para as praias com areia imprópria, a prefeitura pede para utilizar cadeiras, toalhas e cangas com objetivo de não ter contato direto com areia. Por uma orla de boa qualidade, a recomendação é que os banhistas recolham os alimentos e embalagens e não leve animais para a areia.

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