Universidades se tornam palco de hostilidades entre estudantes pró e anti-PT

Duas das principais universidades particulares do País viram atos de estudantes terminarem em conflitos nos últimos dias

Por O Dia

São Paulo - Após um ano marcado por protestos e ofensas de uma parte a outra, o clima de hostilidade entre movimentos politicamente antagônicos chegou às universidades do País. Na última semana, duas das principais instituições particulares de ensino superior do País foram palcos de manifestações e conflitos entre estudantes favoráveis e contrários ao governo Dilma Rousseff. 

Na segunda-feira, um ato organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Economia e Administração, que pedia o impeachment da presidente, terminou em conflito entre seus apoiadores e manifestantes defensores do Partido dos Trabalhadores – estudantes pró-Dilma, que estavam no campus e nos bares ao redor e resolveram responder às ofensas bradadas pelos anti-PT em um caminhão de som. A situação ficou mais tensa quando a Polícia Militar foi chamada para intervir, usando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os manifestantes. 

Alunos e Polícia Militar entram em conflito na segunda-feira na PUC%2C Zona Oeste de São PauloMarcos Bizotto/Raw Image/Estadão Conteúdo - 21.03.16

Dois dias depois, universitários da Universidade Presbiteriana Mackenzie defensores do governo federal voltaram a protestar no local onde ocorreu um dos mais conhecidos confrontos da ditadura militar, a Rua Maria Antônia, na região central de São Paulo. Às vésperas da instalação do Ato Institucional Número 5, o mais severo do regime, em 1968, estudantes da mesma instituição protagonizaram uma batalha contra alunos da Universidade de São Paulo (de esquerda), cujo saldo foi uma morte, dezenas de feridos e o prédio da Faculdade de Filosofia da USP incendiado. 

Apesar de não ter sido nem de perto tão dramático quanto aquela que ficou conhecida como "A Batalha da Maria Antônia", o ato da última quarta-feira também acabou em confusão. Universitários do Mackenzie favoráveis ao impeachment que estavam em bares da via passaram a hostilizar os defensores de Dilma com gritos de "PT ladrão", rebatidos com outros de "fascistas". Houve empurra-empurra e ao menos a explosão de duas bombas usadas pelos grupos. Na manhã seguinte ao ato, um dos banheiros do campus da Consolação trazia uma mensagem em que se lia " “Fora PT e devolva os pretos para a senzala”.

Manifestantes pró e contra Lula se enfrentam na frente da casa do ex-presidente no dia 4 de marçoClayton de Souza / Estadão Conteúdo

Para o sociólogo Rafael Araújo, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o contexto atual revela uma despolitização grave da população brasileira, que vê uma intolerância crescente em ambos os lados – incluindo entre os universitários. 

“Não vemos um debate racional sobre isso. Na verdade, nunca vemos um debate racional sobre nada. E a ausência de pensamento, como vemos claramente nesses conflitos, não tem a ver com escolaridade. Por isso, acontece nas universidades também”, critica ele. "Em meio a todo este caos, acaba sendo papel da instituição escolar promover discussões, principalmente na universidade, responsável pela produção de conhecimentos para a sociedade. Afinal, se não for a universidade, quem vai fazer?"

Procurada, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou, por meio de nota, que, para a preservação do bom funcionamento das atividades no ambiente acadêmico, não considera “oportuno, no presente momento, manifestações que reúnam grande número de pessoas dentro de seu campus”. A PUC não quis comentar o assunto. 

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