Vendas de carros novos caem 22,5% no 1º bimestre

Segundo a Fenabrave, foram registrados 356 mil emplacamentos nos primeiros meses do ano contra um total de 459 mil em 2014

Por O Dia

São Paulo - Depois dos resultados negativos registrados nos dois primeiros meses do ano, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) revisou para baixo a sua já pessimista previsão de vendas para 2015. A entidade agora projeta uma queda de 10% no ano, contra um recuo de 0,5% anunciado em janeiro. No primeiro bimestre, as vendas de automóveis caíram 22,54%, em relação ao mesmo período de 2014, com 356 mil emplacamentos.

De acordo com dados da Fenabrave, a comercialização de automóveis e veículos comerciais leves caiu 27,28% em fevereiro, no comparativo com o mesmo mês do ano passado, com 178.822 emplacamentos registrados. No acumulado do ano, foram registrados 422.717 mil emplacamentos contra um total de 545.641 — num recuo de 22,53%. As vendas de ônibus e caminhões no mesmo período registraram queda ainda maior, de 35,13%, com 17.045 mil veículos emplacados, contra um total de 26.277 nos primeiros meses de 2014.

Segundo Alarico Assumpção Junior, presidente da Fenabrave, o mau desempenho das concessionárias de veículos no início do ano se deve à estagnação da economia brasileira. “A roda não gira e o PIB brasileiro não se movimenta por causa dos juros altos, que encarecem o crédito, além da inflação e do nível de endividamento das famílias. A perspectiva de aumento do desemprego no país desanima o ímpeto geral pelas compras por parte dos consumidores”, afirma.

Assumpção Junior explica que apesar de as taxas de inadimplência estarem sob controle, as instituições financeiras continuam muito seletivas na concessão de crédito para financiar veículos. “A cada dez propostas enviadas, sete são recusadas. E esse rigor persiste há muitos meses, embora as novas regras de alienação fiduciária tenham entrado em vigor em novembro do ano passado, diminuindo os custos e os prazos de resgates de bens móveis”, disse, mencionando as medidas que devem começar a ter impacto no crédito bancário a partir do ano que vem.

De acordo com ele, o estoque médio de veículos, de 55 dias de concessionárias e montadoras, está três vezes acima do ideal. E as medidas de ajuste fiscal do governo não apontam para mudanças de perspectivas no curto prazo. “Os ajustes anunciados pelo ministro Joaquim Levy puxam a economia para baixo. O governo perdeu o controle da agenda política e mesmo os representantes do PT têm dificuldade de defender as medidas da equipe econômica de Dilma”, afirma.

Entre os fatores positivos para o setor, indicados pela Fenabrave este ano, estão o calendário anual, com menos dias de feriados em relação a 2014, e o aumento geral das exportações brasileiras, sobretudo por causa do câmbio. A entidade estima uma taxa cambial média de R$ 3,20 no ano. Por outro lado, a lista de fatores negativos é bem mais extensa. Além dos juros e inflação altos, e retração do PIB de 1,5%, a Fenabrave aposta que o aumento das tarifas de energia e de água devem pressionar ainda mais os custos produtivos e a inflação média do país. No campo político, a entidade não acredita na possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff, mas prevê que a presidente enfrentará uma crise de governabilidade.

 

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