Aumenta desgaste entre aliados

Aprovação do aumento dos servidores do judiciário contribui para minar relação entre PT e PMDB no Senado

Por O Dia

A derrota sofrida pelo governo, no Senado, com a aprovação de aumento médio de 59,5% para os servidores do judiciário desgastou ainda mais a difícil relação entre o PT e o PMDB na Casa. No partido do governo, reclamava-se que a bancada ficou sozinha na defesa da negociação de proposta alternativa capaz de amortecer o impacto antiajuste fiscal. Entre os pemedebistas, a culpa pelo tropeço era atribuída à Casa Civil, acusada de deixar tudo para a última hora.

A velha fórmula de ceder à aprovação de um projeto ou medida provisória numa seguida de veto acoplado a nova proposta é considerada a pior possível. Expõe a presidente a uma negociação em desvantagem e sob ameaça de derrubada do veto.

Me dê motivo

Segundo a percepção das empresas estrangeiras de petróleo, a recepção ao projeto de José Serra que retira a exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal demonstra que a proposta tem apoio da maioria dos senadores e da própria estatal. O debate realizado no plenário do Senado na terça-feira teria deixado claro que, a exemplo do presidente Lula, os parlamentares precisam apenas de um bom motivo para aprovar o texto. Como grandes interessadas, as empresas monitoram de perto sua tramitação.

No index

O presidente da CNI, Robson Braga, entrou na blacklist do Palácio do Planalto na categoria adversário. A última pesquisa do Ibope para a confederação com a má notícia da popularidade de Dilma de um dígito foi a gota d'água. Confirmou diagnóstico de conselheiros da presidente de que a representação
patronal é ruim.

O enigma de Lula

Um senador aliado do governo não entendeu a conversa do presidente Lula com o PMDB na terça-feira. Há uma semana, ele reuniu o mesmo grupo para criticar o governo, alfinetar ministros e falar de dificuldades. Nesta, pediu compreensão, o esquecimento de mágoas e apoio à presidente Dilma para o bem do país. "Não entendi", resumiu o político. Como o ex-presidente é um mestre do cálculo político, há grande curiosidade a respeito daquilo que fez Lula mudar de opinião.

Ser ou não ser

Não faz parte dos planos de Michel Temer deixar a coordenação política, ainda que, mesmo no PMDB, exista quem defenda sua saída como forma de se autopreservar. Sem o apoio da Casa Civil no cumprimento de compromissos políticos não valeria a pena continuar. Para ele, o papel de salvador da pátria é obviamente o mais conveniente.

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