Acrobata reconhece que erro pode ser fatal em espetáculo do Cirque du Soleil

‘Corteo’ estreia amanhã na Marina da Glória e traz a brasileira Romina em um dos números mais eletrizantes do evento

Por O Dia

Número dos lustres faz a plateia vibrarDivulgação

Rio - Os corações batem forte na plateia. Ao mesmo tempo, a nove metros de altura, no picadeiro, Romina Aurich sente a adrenalina em seu corpo. Ela sabe que qualquer erro pode ser fatal.

Após passar por quatro cidades do país este ano, o espetáculo ‘Corteo’, do Cirque du Soleil, estreia amanhã na Marina da Glória, no Rio, e traz a aerelista brasileira Romina no primeiro ato, em um dos números mais eletrizantes: Chandeliers.

Junto com mais três mulheres (que representam os antigos amores do palhaço Mauro, protagonista da história), Romina faz acrobacias em três lustres gigantes, que pesam cerca de 150 kg e têm quatro mil cristais brilhantes. Ela não tem nenhuma segurança além de suas mãos firmes.

“A gente não pode cair. A lei do Cirque não permite esse tipo de erro. A gente pode morrer, ficar aleijada. Mas treinamos muito diariamente, temos uma ótima preparação, que nos permite aguentar fazer o número presas apenas pelas mãos. Às vezes, precisamos de uma força extra para subir ou esperar as máquinas se moverem. Estamos sempre preparadas para mais e nunca para menos”, conta a paulista Romina, de 39 anos, que desde os 5 já fazia acrobacias no ar, no universo circense.

“Todas as mulheres que fazem esse número têm mais de 30 anos, costumo brincar que esse é o ato das vovozinhas”, acrescenta a aerelista, mãe de Valentina, 6 anos. Conciliar a vida pessoal com a profissional nunca foi um problema para Romina, mas ela confessa que a saudade aperta de vez em quando.

Espetáculo ‘Corteo’ do Cirque du SoleilDivulgação

“Meu marido é canadense e digo que não tenho uma moradia fixa. Tenho que ter muita disciplina no trabalho e, desde cedo, precisei saber separar isso da minha família. Nas festas, por exemplo, nunca estou com ela. Mas sei que todos se orgulham de mim.”

O espetáculo narra os últimos dias de Mauro, O Palhaço Sonhador, que relembra, através de muitas acrobacias e malabarismos, sua infância, amores e sonhos. O canadense Bruce Mather, diretor artístico da atração, diz que o show tem que ser impecável.

A brasileira Romina Aurich durante os treinosDivulgação

“Sou muito exigente. E o nível da equipe é muito bom (são 60 pessoas em cena, sendo cinco brasileiros). Mas é claro que, quando o público sabe que as aerelistas estão sem segurança, tudo fica muito mais excitante. Não estamos ali para matar pessoas, por isso ensaiamos muito. Também queremos sempre dar o nosso melhor no Brasil, onde temos o melhor público, que nos aplaude bastante, nos deixa muito felizes”, avalia Bruce.

O diretor ainda conta que ‘Corteo’ fala de sentimentos, de emoção, e que consegue arrancar muitas lágrimas dos espectadores. “Fala de amor, de amizade. Espero que as pessoas venham dispostas a ver algo novo e a se divertir como crianças.”

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