Érika Martins apresenta segundo disco solo, 'Modinhas'

Cantora dá tom contemporâneo ao gênero filtrando o estado de espírito da modinha por estética pop ‘indie’

Por O Dia

Rio - Gênero de origem portuguesa que aportou no Brasil no século 18, a modinha se consolidou no país no século seguinte. De tom romântico, por vezes lacrimoso, a modinha tem ar colonial, antigo. Mas a cantora Érika Martins dá tom contemporâneo ao gênero em seu segundo disco solo, ‘Modinhas’, filtrando o estado de espírito da modinha por estética pop ‘indie’.

Érika Martins apresenta disco gracioso e sedutorDivulgação

Projetada na desativada banda baiana Penélope, Érika Martins apresenta disco gracioso, sedutor, com os dois pés no presente, ainda que haja em ‘Modinhas’ releituras de músicas antigas como ‘Casinha pequenina’, sucesso na voz do cantor carioca Silvio Caldas (1908 - 1998). Se a música pode ser antiga, a abordagem é sempre renovada . A própria ‘Casinha pequenina’, por exemplo, é remodelada com harmonia na cadência do reggae com toques da música dos Balcãs (região do Sudeste europeu).

A graça do disco reside no respeito às melodias. Por mais que haja microfonias e sons contemporâneos na ‘Modinha’ do compositor carioca Sérgio Bittencourt (1941 - 1979), dá para reconhecer a arquitetura original do tema. O CD consegue a proeza de trazer até a música do compositor Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) para o universo ‘indie’. Letrada com versos do poeta Manuel Bandeira (1886 - 1968), a ‘Modinha’ de Villa-Lobos é um dos destaques do CD na gravação feita com adesão do cantor pernambucano Otto.

Outro trunfo de ‘Modinhas’ é a regravação de ‘Dar-te-ei’, delícia pop do repertório autoral do compositor paulista Marcelo Jeneci. Feito com o grupo Autoramas, o registro de Érika explicita a influência benéfica da Jovem Guarda no cancioneiro de Jeneci.

E por falar em Jovem Guarda, o rock se faz ouvir em ‘Fundidos’, tema de autoria de Botika (do grupo carioca Os Outros). Entre inéditas de Momo (‘Bonita’) e Tom Zé (‘A curi’, no típico tom lúdico do artista tropicalista), Érika Martins faz seu som ‘indie’, à sua moda.

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