Ex-Cidade Negra, Da Ghama é destaque na programação do Teatro Arthur Azevedo

O show acontece nesta quinta-feira (3/11), às 20h, e marca o mês comemorativo da consciência negra

Por O Dia

O secretário-geral da Organização Nacional das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-Moon declarou que os povos afrodescendentes são um dos mais afetados pelo racismo no mundo, decretando a “Década Internacional de Afrodescendentes” (2015/2024). A ação da ONU inspirou o cantor e compositor Da Ghama (ex-Cidade Negra) a conceituar o seu segundo trabalho solo, promovendo um mergulho musical em questões sociais. Fiel às suas raízes, Da Ghama também resgata no novo CD e show o melhor do reggae.

Foi dessa mistura consciente e comprometida que nasceu o projeto “BaixÁfrikaBrasil”, que vai estar no palco do Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (3/11), às 20h. O show acontece no mês comemorativo da Consciência Negra e terá a participação especial de Vell Rangel.

Momento do show de Da Ghama%2C cujo cenário é de Gringo CardiaCarlos Jr/ Divulgação

Na nova fase artística, após uma estrada de 20 anos na marcante guitarra do Cidade Negra, Da Ghama apresenta composições inéditas e outras pinçadas do baú. Não importa de onde venham, as letras das suas canções continuam pulsantes como sempre, carregadas pelas mensagens fortes, verdadeiras e otimistas, que refletem muito bem a personalidade do compositor que atravessou a juventude escrevendo para a banda Lumiar, antecessora do Cidade.

Uma característica do trabalho de Da Ghama são as participações especiais. O cantor gosta de dividir o estúdio e o palco com a legião de amigos que conquistou durante as turnês como integrante do famoso grupo de reggae pelo Brasil e exterior. Neste conceito, o BaixÁfrika nasceu em tom de diversidade e troca com grandes ícones da música.

A canção “Não Pare”, em parceria com Papa Rick, ganhou de imediato um videoclipe. A letra exalta os sentimentos e a luta diária do cidadão comum em busca de uma vida melhor. “Tanta Ladeira”, composição com Marcelo Santana, também retrata o cotidiano do trabalhador, especialmente daqueles que estão nas comunidades e sentiram “na pele” o drama das remoções pós “fim da escravidão”. Nas parcerias, Da Ghama não economizou nos nomes consagrados. Fauzi Beydoun (Tribo de Jah) divide a composição em “Não basta ser rasta”; Edson Gomes em “História do Brasil”; Serginho Meriti em “Retratos da Vida”, Vell Rangel em “ Vem Nêga”; Zé Rodrigues e Punho Forte em “Reggae Flores”; Dida Nascimento (Negril) em “Apartheid Não”. A lendária “Falar a Verdade” é uma das maiores heranças da primeira formação do Cidade Negra, composta por Da Ghama, Bino Farias, Lazão e Ras Bernardo.

Nas assinaturas vocais está uma das novas revelações do The Voice Brasil, Lanna Rodrigues, que canta com Da Ghama o hit “Frison”. Serjão Loroza dá vida à “Trabalhador” e As Martinhas (grupo formado pelas filhas de Martinho da Vila, Analimar Ferreira, Juliana Ferreira e Maíra Ferreira) têm destaque em outra faixa. Participam ainda Marcos Lobato (O Rappa) nos teclados, Ricardo Barreto (Blitz), a banda Planta e Raiz, Maicon Dias, Celso Moretti e Fernando Magalhães (Barão Vermelho).

Unindo artistas de segmentos musicais tão diferentes, o BaixÁfrika reafirma o reggae como um estilo carregado de valores e tradição. O próprio título do projeto cria o elo entre a cultura africana e da Baixada Fluminense, transmitindo de forma clara a homenagem à região no Rio de Janeiro onde Da Ghama arriscou os seus primeiros acordes e lampejos nas composições e que tem muitos afrodescendentes.

Para quem ainda não sabe o quanto Da Ghama caminhou para chegar até o BaixÁfrika. O compositor, cantor e músico despontou em Belford Roxo, um dos bairros considerados mais violentos da Baixada. A rotina de Da Ghama não era diferente dos moradores de uma cidade dormitório e tinha que levantar de madrugada para garantir o sustento da sua família. No entanto, o sonho de ingressar no mercado musical aliado ao espírito empreendedor levou Da Ghama a formar uma das bandas de maior sucesso na década de 90, com milhões de cópias vendidas em todo o planeta. Rendeu 20 anos de sucesso, mas como diz uma de suas letras - “entre o céu e o firmamento não há ressentimento / cada um ocupando o seu lugar”, Da Ghama saiu em busca de novos horizontes.

“Big band” BaixÁfricaBrasil
Da Ghama – Vocal, guitarra (base) e violão
Nanda Félix – Backing vocal
Tânia – Backing vocal
Cleo Henrique - Bateria
Waldir Gama – Percussão
Heitor Nascimento – Guitarra (solo) e backing vocal
Cauê – Trombone
Tácio Farias – Baixo
Junior e Cauê – Trompete
Kila – Teclado


SERVIÇO:

“BaixÁfrikaBrasil”, com Da Ghama
Convidado: Vell Rangel
Local: Teatro Arthur Azevedo. Rua Vitor Alves, 454 – Campo Grande, na Zona Oeste – Rio de Janeiro
Data: 3 de novembro de 2016 – Quinta-feira
Horário: 20 horas
Classificação livre
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada)
Informações: (21) 2332-7516 e (21) 99918-9787