'Aqui posso recuperar o ponto que parei, o que perdi’, afirma Lenny

Atualmente, jogador defende as cores do Madureira

Por O Dia

Rio - Aos 25 anos, o atacante Lenny, revelado pelo Fluminense, luta para retomar no Madureira uma carreira marcada por uma série de lesões nos últimos quatro anos. Com a franqueza e a irreverência de sempre, o jogador revelou ao ‘Ataque’ a via crucis que tem enfrentado para recuperar a forma física e voltar a jogar em alto nível.

O DIA: Após tantas lesões, jogar no Madureira é um recomeço na sua carreira?
LENNY: Não deixa de ser recomeço, apesar de ter passado pelo Ventforet Kofu, do Japão, no início do ano. Mas no Brasil é.

Por que ficou tão pouco tempo no futebol japonês?
Eu precisava de uma pré-temporada reforçada para ficar com mais força muscular. Mas lá não tem muito essa coisa de musculação. Só fiz musculação um dia. Não é como no Brasil. Eu até estava gostando, mas senti o adutor esquerdo em um drible. Pedi um tempinho para reforçar a musculatura, mas eles queriam que fizesse o reforço no próprio treino e eu não concordei. Como tinha a opção de rescindir antes do começo do campeonato, preferi voltar.

A sua carreira não decolou mesmo jogando em grandes clubes? O que aconteceu?
Fui campeão na Copa do Brasil com o Fluminense (2007), depois fui para Portugal (Sporting Braga, de Portugal) voltei. No Palmeiras, eu tive uma época muito boa e fui campeão Paulista (2008). Em 2009, estava muito bem no Campeonato Paulista quando operei o quinto metacarpo do pé. Quando me recuperei e voltei o técnico já era o Muricy (Ramalho). Joguei dez jogos, fiz dois gols e operei o joelho direito. Foi o que pegou mesmo.

Lenny quer dar a volta por cima no MadureiraUanderson Fernandes / Agência O Dia

Por que você trocou o Palmeiras pelo Figueirense?
Estava de férias nos Estados Unidos e meu empresário ligou querendo que eu fosse para o Figueirense. Não tinha vontade, mas acabei rescindindo com o Palmeiras. Foi o meu maior erro. Se arrependimento matasse estava durinho na gaveta de madeira. Foi a pior coisa que fiz na minha vida. A estrutura, a qualidade dos profissionais, tudo era ruim. Bem diferente do que estava acostumado no Fluminense e Palmeiras.

Você jogou apenas um jogo pelo Figueirense?
Em 2011 joguei oito minutos. Qualquer um joga mais do que oito minutos no ano. Eu tinha acabado de voltar de lesão era o meu primeiro dia de treino no campo e um cara me pediu para voltar logo. Disse que o time estava mal no Estadual e precisava de mim, nem que fosse apenas 20 minutos. E eu louco para jogar. Acabei fazendo um teste no treino e no dia seguinte me arrebentei. Voltei em agosto, mas não conseguia me recuperar. Sentia o adutor, a parte anterior ou posterior da coxa, sentia tudo. Na época, o Marcos Teixeira (diretor de futebol do Figueirense ) disse que eu tinha sido virado pelo avesso. Mas o que adianta você fazer todos os exames se não fizer o tratamento adequado? O ano de 2011 foi perdi do. Até hoje, o Figueirense não me pagou o 13º salário e férias. Tudo o que eu passo nos dias de hoje é por tudo que eu vivi lá.

Depois do Figueirense você teve dificuldade de arrumar outro clube?
Sai de lá com muito descrédito e passei um ano inteiro sem jogar. Depois fui para o Boavista, só que não estava legal. Joguei três jogos fiz um gol contra o Botafogo. Fiquei vinculado a Traffic nessa época e de maio a dezembro de 2012 , eles não me pagaram nada.

Mas o que mais pesou foi a falta de confiança?
Eu sei da minha qualidade, do que posso fazer, mas eu não tinha força suficiente para fazer. Vinha um zagueiro e eu tocava para o lado. Eu estava inseguro sobre o meu corpo (explosão física). Mas hoje não. Estou treinando direto há duas semanas sem sentir nada. Isso não acontecia há dois anos, você não tem noção da minha felicidade. Sei que tenho muito a melhorar, mas a condição que tenho hoje me deixa muito satisfeito. Aqui posso recuperar o ponto que parei, o que perdi.

Por que você postou no instagran uma foto com uma arma de fogo?
Achei engraçado a foto como dezenas de outras que tenho (mostra várias postagens de humor em seu celular). Tenho pouquíssimos seguidores. Não tenho dado entrevistas, não tenho vontade nem de aparecer. Achava que tinha voltado a ser um cara normal, mas pela repercussão, vi que não. Só achei engraçado como zilhões de pessoas, mas não fiz apologia de nada. O que aconteceu depois disso foi palhaçada.

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