Ibovespa cai 1,2% e amarga a quinta sessão consecutiva no vermelho

Ações dos bancos pressionaram o índice. Mercado mantém cautela em meio à expectativa por eventuais medidas tributárias do governo

Por O Dia

A Bovespa fechou em queda pelo quinto pregão consecutivo nesta terça-feira, em meio à cautela com eventuais medidas tributárias do governo para reequilibrar as contas públicas, com ações de bancos entre as principais pressões de baixa.

O declínio nos papéis de exportadoras de alimentos, entre elas BRF, que teve corte de recomendação por um banco estrangeiro, enquanto Vale teve um dia volátil em sessão de noticiário intenso.

O Ibovespa terminou em baixa de 1,27%, aos 51.612 pontos, perto da mínima. O volume financeiro somou R$ 6,05 bilhões. À frente dos ganhos, Eletrobras ON subiu 3,20%. Na outra ponta, Marfrig ON despencou 9,09%.

No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta ante o real, na esteira da aversão ao risco no exterior, com investidores adotando uma postura mais defensiva diante da volatilidade dos preços das commodities, mesmo após o Banco Central realizar leilão de venda de dólares com compromisso de recompra.

O dólar subiu 0,67%, cotado a R$ 2,575 na venda. A divisa dos Estados Unidos também avançava contra moedas ligadas a commodities, como os dólares australiano e neozelandês.

"A volatilidade nas commodities, principalmente no petróleo, deixou investidores avessos a ativos de maior risco, o que acabou transbordando aqui no real", disse o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano.

Na véspera, o vice-chair do Federal Reserve, Stanley Fischer, e o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, afirmarem que a baixa dos preços do petróleo só vai afetar temporariamente os preços nos Estados Unidos. Os dois adotaram um tom razoavelmente otimista, sugerindo que o banco central norte-americano não adiará a alta dos juros em função disso. O contrato do petróleo Brent caía mais de 2% nesta sessão, após fechar em alta na segunda-feira.

Na cena doméstica, investidores continuaram à espera de mais pistas sobre quais medidas serão adotadas pela nova equipe econômica para enfrentar o quadro de inflação alta e crescimento baixo. Também mostravam dúvidas sobre o futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central no câmbio.

A autoridade monetária realizou nesta sessão leilão de venda de até us$ 1 bilhão com compromisso de recompra em 2 de abril de 2015. Segundo o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca, a atuação não traz grande impacto no mercado e vem por motivos sazonais.

"É normal que tenha mais demanda por dólares no fim de ano, porque as empresas precisam remeter (lucros e dividendos) para fora. O BC está apenas reagindo a isso", afirmou Siaca. O BC também faz os leilões de linha no final de ano para dar liquidez aos exportadores.


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