Ibovespa recua 0,7% pressionado por Vale e setor financeiro

Dado ruim da indústria da China derruba papel da mineradora e ações dos bancos refletem exposição das instituições a empresas investigadas na Lava Jato

Por O Dia

O principal índice da Bovespa fechou em queda nesta terça-feira, com papéis da mineradora Vale entre as principais pressões de baixa, um dia após a Standard & Poor's manter a avaliação grau de investimento do Brasil.

O Ibovespa cedeu 0,78%, aos 51.506. Na abertura, o índice chegou a trabalhar no azul, subindo 0,61%, para a máxima do dia de 52.222 pontos. O volume financeiro da sessão alcançou R$ 5,38 bilhões.

A agência de classificação de risco S&P afirmou na segunda-feira o rating de longo prazo do Brasil em "BBB-" e manteve a perspectiva estável, citando a mudança de rumo na condução da política econômica pela presidente Dilma Rousseff.

A S&P, contudo, afirmou em teleconferência nesta terça-feira que pode rebaixar o rating do país caso se afaste do compromisso fiscal. A agência também manteve a nota de longo prazo da Petrobras em "BBB-", mas cortou a perspectiva para negativa e disse que pode rebaixar a companhia se os resultados auditados não saírem até o final de abril.

As ações da estatal mostraram indefinição ao longo da sessão, mas fecharam em leve alta, com as preferenciais subindo 0,43%, enquanto as ordinárias avançaram 0,22%.

A pressão negativa veio principalmente das ações da mineradora Vale com as ordinárias cedendo 3,93% e as preferenciais caindo 2,42%, em meio a perspectivas negativas sobre crescimento na China após dados da indústria naquele país.

A queda nos papéis de bancos também pesou pela forte fatia que detêm no Ibovespa, conforme segue a apreensão com a exposição de instituições a empresas investigadas na operação Lava Jato, em particular após a empresa de investimentos em navios-sonda da Sete Brasil deixar de pagar empréstimo-ponte bilateral de 250 milhões de dólares ao Standard Chartered Bank.

Bradesco recuou 0,95% e Itaú Unibanco caiu 0,62%. Ambos os papéis detêm juntos quase 20% do Ibovespa.

BM&FBovespa foi destaque negativo, ao recuar 2,67% antes do julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) sobre a operação de incorporação de ações e suas implicações na retenção em fonte do imposto de renda (goodwill), previsto para a quarta-feira.

"Há grande chance de a empresa perder de novo, mas por mais que seja esperado, estressa a ação no curto prazo", disse o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management. Na mínima da sessão, os papéis chegaram a cair 4,27%. 

O comportamento do dólar frente ao real também voltou a respingar na Bovespa, com efeito da baixa da moeda norte-americana prevalecendo sobre ações de exportadoras como a fabricante de aeronaves Embraer e o grupo de alimentos JBS, apesar da volatilidade apresentada no meio do pregão.

O recuo do dólar pelo terceiro pregão seguido ainda corroborou o ajuste de baixa nas siderúrgicas Gerdau e Usiminas, que têm receita e poder de precificação influenciado pelo câmbio.

O papel ordinário de Usiminas, que não está no Ibovespa, por sua vez, avançou 13,87%, conforme seguem as expectativas para a votação do presidente do Conselho da empresa e de outros membros do grupo em 6 de abril.

As ações das empresas de papel e celulose Suzano e Fibria limitaram o efeito negativo do câmbio com dados de estoque divulgados pelo PPPC (Conselho de Produtos de Papel e Celulose), considerados positivos por analistas.

Gol foi um dos destaques negativos, com queda de 4,32%, após subir 11,31% em dois pregões. O presidente da companhia aérea, Paulo Kakinoff, aventou em evento do setor redução na oferta doméstica da empresa.


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