Baidu se prepara para lançar no Brasil seu serviço de busca na web

Conhecida como "Google da China", a empresa aposta nos 60 milhões de novos internautas brasileiros para firmar seu buscador e disputar uma fatia no mercado de publicidade online, que deve chegar a R$ 7 bi neste ano

Por O Dia

São Paulo - Um dos três ícones da internet na China — ao lado do Alibaba e da Tencent —, o Baidu se consolidou como o principal serviço de buscas na web no país, o que levou a empresa a ser apelidada de o “Google da China”. Com o sucesso da plataforma, a companhia construiu ao longo dos anos um portfólio de mais de 100 produtos, que inclui serviços de mapa, de computação em nuvem e de download de músicas, entre outros recursos. Como parte de sua estratégia de internacionalização, o Baidu chegou ao Brasil em novembro, seguindo um caminho já traçado por outros pares, como a Lenovo e a Huawei. Após uma fase inicial que incluiu a oferta de produtos gratuitos para testar o mercado, a empresa prepara agora seu maior passo no país: o lançamento da versão local de seu serviço de buscas. Mais que uma estratégia agressiva para desafiar o domínio do Google em curto prazo, o plano do Baidu é ganhar mercado pouco a pouco e terá como inspiração o próprio nome da empresa. Tirado de um poema da dinastia Song, Baidu significa “centenas de vezes” e fala da busca persistente por um ideal.

“Precisamos ter paciência chinesa para conquistar esse mercado no Brasil. Claramente é um desafio chegar a um segmento no qual o Google já é uma marca muito forte para usuários mais avançados de internet. Mas temos chance de conquistar pouco a pouco uma participação relevante, especialmente junto aos novos usuários que estão começando a acessar a web no país”, diz Felipe Zmoginski, gerente de comunicação e marketing do Baidu no Brasil. “O Brasil já tem 100 milhões de internautas e uma perspectiva de adicionar mais 60 milhões nos próximos anos. Não vamos conquistar a liderança amanhã. Nossa visão é de médio e longo prazo”, afirma.

Segundo o executivo, o serviço será lançado ainda no segundo semestre de 2014. A definição de uma data específica, diz ele, ainda depende de alguns ajustes finos na plataforma, que começou a ser testada por um grupo de usuários brasileiros antes mesmo da chegada do Baidu no país. Uma das grandes apostas é o motor de buscas Aladdin, sistema que traz resultados contextualizados para os usuários. Se um internauta digita na busca, por exemplo, os termos São Paulo Rio, o software consegue prever que ele está atrás de passagens aéreas e sugerir, já na página inicial, preços e horários de voo de determinadas companhias naquele trajeto. “Já estamos costurando parcerias locais para aprimorar essa oferta. Ao mesmo tempo, continuamos a realizar testes com os usuários, para refinar o conhecimento sobre o comportamento dos internautas brasileiros”, explica.

A conta é simples. Com resultados mais relevantes e personalizados, a ideia é atrair gradativamente usuários e, por consequência, anunciantes para o serviço. O objetivo de capturar parte do mercado brasileiro de publicidade na internet, que movimentou R$ 5,7 bilhões em 2013, segundo o Internet Advertising Bureau (IAB). Para esse ano, a consultoria prevê uma receita de R$ 7 bilhões. “O bolo é muito grande e ainda vai crescer muito mais”, diz.

O interesse do Baidu pelo Brasil é reflexo da expansão internacional que começou a ser implantada há oito anos, inicialmente pelo Japão. Com o pouco retorno obtido no mercado japonês, no entanto, a empresa passou a investir em mercados emergentes no sudoeste asiático, no Oriente Médio e, mais recentemente, no Brasil. “A empresa entendeu que a melhor estratégia é investir em mercados onde a cultura da internet não está totalmente estabelecida e ainda há espaço para crescer, diferentemente de mercados maduros. O Brasil ainda é uma avenida em aberto”, afirma. “Um dos nossos diferenciais é o fato de que temos ações negociadas na Nasdaq. Isso traz um outro nível de governança e transparência, fatores que muitas vezes dificultam a internacionalização das empresas chinesas”, acrescenta.

A operação do Baidu ainda não gera receitas no país. A estratégia inicial da empresa no Brasil envolveu o lançamento de produtos gratuitos, como o Baidu Antivírus, o PC Faster — que melhora o desempenho de computadores —, e o portal Hao123, que reúne links mais acessados na internet e é voltado para internautas iniciantes. Zmoginski explica que a escolha por iniciar a operação com essas ofertas segue a estratégia de divulgar a marca, ainda pouco conhecida no país, e, ao mesmo tempo, entender os hábitos dos internautas e as peculiaridades do mercado local. 

O Baidu Antivírus e o Hao123 conquistaram, respectivamente, bases de 10 milhões e de 30 milhões de usuários. No caso do Hao123, que inclui recursos de busca — hoje do Google, do Bing e do Yahoo —, a ideia é converter parte desse volume com a inclusão da versão local do Baidu . A busca por acordos com portais de grande audiência para o uso da plataforma é outro plano no radar.

O Baidu avalia ainda outros projetos em médio prazo. O primeiro deles é a montagem de uma equipe para o desenvolvimento de ofertas locais. A empresa também estuda investir em um data center local “Primeiro vamos lançar a plataforma. Mas estamos considerando esse investimento, especialmente para reduzir a latência e entregar uma experiência mais rápida para o usuário”, afirma.

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