Simulação na Coreia mostra que mortos em naufrágio poderiam ter sido salvos

Promotores sustentam que o capitão e tripulantes abandonaram navio sem se preocupar com os passageiros

Por O Dia

Coreia do Sul - Os 304 mortos no naufrágio do navio sul-coreano Sewol poderiam ter sido salvos com uma operação de evacuação adequada, segundo as simulações apresentadas por um especialista no julgamento da tragédia e divulgadas nesta quinta-feira pela imprensa em Seul. O professor Park Hyung-joo, do departamento de construção e engenharia da universidade sul-coreana de Gachon, expôs nesta quinta os resultados de três cenários simulados durante uma das audiências do julgamento do capitão e da tripulação, acusados entre outras coisas de atrasar a evacuação.

Caso no último dia 16 de abril o capitão tivesse ordenado a evacuação às 8h50, com o navio inclinado em um ângulo de 30 graus, os 476 passageiros poderiam ter alcançado a cobertura e salvar-se, segundo uma das simulações do especialista, divulgadas pelo jornal local Joongang.

Embarcação Sewol naufragou no dia 16 de abril, na Coreia do Sul Reuters

Mais surpreendentes ainda são os resultados das outras duas simulações, nas quais o analista assegura que todos teriam se salvado mesmo se a ordem de evacuação tivesse sido emitida com o Sewol inclinado mais de 50 graus. A nova declaração serviu para escorar as acusações contra o capitão e 14 membros da tripulação, acusados de homicídio e de conduta negligente no julgamento realizado em Gwangju, no sudoeste do país.

Os promotores sustentam que o capitão Lee Joon-seok, de 69 anos, e os outros três tripulantes abandonaram o navio sem se preocupar com a segurança dos passageiros após atrasar a ordem de evacuação, um comportamento que pode ter elevado o número de mortes na tragédia.

O capitão e três tripulantes estão acusados de homicídio por negligência grave e poderiam ser condenados à pena de morte, enquanto os 11 restantes, acusados de conduta negligente, podem ser condenados à prisão perpétua.

As simulações apresentadas podem aumentar a animosidade tanto das famílias das vítimas como da sociedade em geral com os tripulantes, que, no entanto, não são os únicos culpados da tragédia, segundo as investigações.

De acordo com o revelado até agora, o Sewol estava carregado com até mais do dobro de peso permitido e não reunia as condições para navegar apesar de ter as permissões, enquanto o governo também não respondeu adequadamente. O barco sul-coreano permanece naufragado em águas ao sudeste do país e ainda há 10 corpos desaparecidos dos 304 falecidos, a maioria estudantes de bacharelado.

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