Alto índice de jovens negros mortos preocupa integrantes da ONU

Líderes lembraram das mortes de Tamir Rice, em Cleveland, e de Michael Brown, em Ferguson

Por O Dia

Nova York, EUA - A ONU expressou nesta terça-feira sua preocupação pelo 'desproporcional' número de jovens negros que são mortos nos Estados Unidos pela polícia e pediu às autoridades que atuem para dar resposta à crescente desconfiança que muitas comunidades têm em relação à Justiça.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, reagiu desta forma aos distúrbios registrados em Ferguson, no estado americano do Missouri, após a decisão de um grande júri de não indiciar o policial que matou o jovem negro Michael Brown. Hussein destacou em comunicado a preocupação da ONU pelo "desproporcional número de jovens negros que morrem em encontros com policiais", assim como pelo alto número de negros na prisão e condenados à morte.

Líderes pedem pelo fim do assassinato 'desproporcional' de jovens negrosEfe


"Está claro que, pelo menos entre alguns setores da população, há uma profunda e cada vez mais inflamada falta de confiança na legitimidade da Justiça e nos sistemas de aplicação da lei", declarou o principal responsável de Direitos Humanos da organização. Por isso, urgiu às autoridades americanas a examinar com profundidade como os "assuntos raciais" estão afetando os sistemas de Justiça e de polícia no país.

Nesse sentido, lembrou que diversos organismos, entre eles vários da própria ONU, denunciaram uma 'discriminação institucionalizada' nos EUA. Além disso, Hussein chamou a atenção para o alto número de mortes relacionadas com as armas que se registram no país, dando como exemplo a morte há três dias de um menino negro de 12 anos, Tamir Rice, que foi morto pela polícia quando brincava com uma pistola de ar comprimido.

"Em muitos países, onde não é tão fácil acessar armas verdadeiras, a polícia tende a ver crianças brincando com réplicas como o que são, ao invés de vê-las como um perigo a ser neutralizado", comentou Hussein. O diplomata jordaniano transferiu suas condolências tanto aos familiares de Rice como aos de Brown, dos quais destacou sua 'tremenda dignidade' e fez eco de seus pedidos para que os protestos em Ferguson sejam pacíficos.

"Peço a todos os manifestantes que evitem a violência e a destruição após a decisão, de acordo com os desejos expressados pelos pais de Brown e de acordo com a lei", afirmou Hussein. O responsável da ONU lembrou que as pessoas "têm direito a expressar sua consternação e seu desacordo com o veredito do grande júri, mas não de causar danos a outros ou a suas propriedades".

Na mesma linha se pronunciou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que através de seu porta-voz pediu que os manifestantes evitem a violência e que as autoridades garantam que se respeite o direito aos protestos pacíficos. Ban pediu ainda para que os envolvidos transformem "este momento difícil em um movimento positivo para a mudança".

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