Israel nega ter espionado negociações nucleares entre EUA e Irã

Segundo o The Wall Street Journal, a operação de espionagem 'fazia parte de uma ampla campanha do governo do primeiro-ministro israelense'

Por O Dia

Israel - O governo israelense negou nesta terça-feira que tenha espionado as sigilosas negociações entre o Irã e os EUA, como revelou o "The Wall Street Journal", que citou funcionários da Casa Branca como fontes.

"Acho que essas informações estão incorretas e inexatas", declarou o ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, em entrevista à rádio do exército israelense. Lieberman disse que, "obviamente, Israel tem diferentes interesses de segurança (em relação aos EUA) e um bom serviço de inteligência", mas reiterou que o país "não se dedica à espionagem contra os EUA".

Funcionários de destaque do gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, negaram as acusações noticiadas pelo jornal. "Essas acusações são totalmente falsas. O Estado de Israel não faz espionagem contra os EUA ou outros aliados de Israel. Essas falsas acusações são claramente destinadas a arruinar os fortes laços entre EUA e Israel e as relações que compartilhamos em matéria de segurança e inteligência", disseram.

Segundo o "The Wall Street Journal", a operação de espionagem "fazia parte de uma ampla campanha do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para ter conhecimento sobre as negociações e ajudar a elaborar seus argumentos contra os termos do acordo" entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França, além da Alemanha).

"Além de escutas ilegais, Israel obteve informação de reuniões, informantes e contatos diplomatas confidenciais dos EUA na Europa", acrescentou a publicação.
De acordo com um alto funcionário americano, "uma coisa é que EUA e Israel se espionem mutuamente, outra coisa é que Israel roube dados secretos dos EUA e os repassem para os legisladores americanos para arruinar a diplomacia" de Washington. O "Wall Street Journal" explica que EUA e Israel, aliados de longa data que constantemente compartilham informações sobre ameaças à segurança, às vezes operam em trabalhos de contra-espionagem.

"A Casa Branca descobriu a operação quando as agências de inteligência dos EUA que espionam em Israel interceptaram comunicações entre funcionários israelenses com detalhes apenas Washington poderia ter acesso nas negociações confidenciais", disse a publicação. Segundo o jornal, "funcionários israelenses negaram ter espionado diretamente nas negociações", pois obtiveram a informação através de "outros meios, como uma rigorosa vigilância sobre os líderes iranianos que recebiam as últimas ofertas" dos EUA e de seus aliados europeus.

As negociações do grupo G5+1 (EUA, Rússia, China, o Reino Unido e França, além da Alemanha) com o Irã abriram nos últimos meses uma grave brecha nas tradicionais relações entre EUA e Israel. Israel se opõe taxativamente ao acordo que as potências ocidentais negociam com o Irã para resolver a polêmica sobre seu programa nuclear, que Netanyahu classificou como "muito ruim".

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