Milton Cunha: Vida real

Conheço muitos à disposição para as Perséfones da vida... Fazer jantar bom com filé é fácil. Quero ver com carne de terceira

Por O Dia

Rio - A Perséfone de ‘Amor à Vida’ só quer perder a virgindade se for com um gato. Ela, que reclama de preconceito, é preconceituosíssima. Vai pegar porteiro, feirante, motoboy, gata fofinha. Estes sim são os homens reais, alguns até gatos, mas a maioria bem normal, prontos para te dar uma aquecida. Mas ela fica rodeando os rapazinhos do hospital que só estão a fim das gatas filé, categoria na qual a personagem não se enquadra. Cadê que ela quer um gordinho de meia-idade, ou um nerd? Fofolete, entra na fila porque você tá chegando agora, e você tem problema sério de mira, querida. Tem que apontar pro possível, divina. Conheço um monte de cara normal da Saara que sempre está à disposição para as Perséfones de plantão, coisa que a vida real está cheia. Fazer jantar bom com filé é fácil. Quero ver com carne de terceira.

Quem é o homem e quem é a mulher? Perguntava o machão otário César da mesma novela, cujo passatempo é chifrar a amélia da Pilar. Maravilhoso porque para um troglodita destes, o mundo se resume a quem penetra qual buraco. E tendo a mulher apenas buraco, não dotada do pênis definidor da glória de existir, ela é o ser inferior. Se seu filho bicha ainda comesse... Ser o homem da relação homossexual também restringe as lésbicas, pois uma das duas teria que ter o bilau de borracha, já que só nos restaria copiar o modelo hétero. Ridículo, pois sexo é criatividade e tá valendo tudo, amores. O papai e mamãe é bom, mas não é único, libertem-se. Tem coisa mais cafona que machão?

Fora isso, fui a Campos para uma grande festa, convidado por minha amiga Rosinha: o majestoso Teatro Trianon de Campos (o maior do interior do Estado do Rio, com 800 luxuosos lugares) completou 15 anos e engalanou-se todo para receber a Deusa Maria Bethânia, com o show ‘Carta de Amor’. Que belezura! A prefeita recebia a cidade, felicíssima, que aplaudia incessantemente a Diva, num show eletrizante de simplicidade e lirismo. O clima de quermesse, boi-bumbá, cantiga de roda, que Bethânia pesquisa e persegue há décadas tem encontrado na maturidade da cantora o espaço perfeito para se manifestar. E reclamou da perseguição a sua arte com as musicas ‘Me Larga’ e ‘Carta de Amor’, que de amor não tem nada. Afirma: “Sou capaz de te engolir, só para cuspir depois...” Já viram Boi Pintadinho? É uma das manifestações folclóricas típicas de Campos. Tem também a Cavalhada e tudo isto será celebrado na semana do folclore, agora em agosto. Precisamos não deixar morrer estas tradições culturais que guardam a diversidade e riqueza de nossa gente bacanérrima.

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