Editorial: Mobilidade urbana e qualidade do ar

Com vontade política, um pouco de paciência e estrutura, o Rio pode deixar de ser uma cidade dependente do automóvel

Por O Dia

Rio - Não surpreende o Centro ter apresentado o melhor desempenho na análise da qualidade do ar na cidade, como O DIA detalhou ontem. A redução drástica da emissão de poluentes deve muito ao quase banimento de automóveis da Avenida Rio Branco — e, por extensão, da região, dadas as dificuldades de circulação. Em tempos de estiagem, como este, a irrespirabilidade tende a atingir níveis críticos. Mas não fará mal se os cariocas se esforçarem um pouco mais para deixar o carro em casa — a prefeitura está fazendo a parte dela.

Copacabana se destaca negativamente no levantamento. Pudera: a Barata Ribeiro e a Nossa Senhora de Copacabana funcionam como artérias entupidas de fumaça que prejudicam bastante o bairro. Não se percebe apenas no ar carregado, mas também na criação de ilhas de calor, criando um ambiente insustentável — no verão, para amenizar a fornalha e proteger-se da poluição, abusa-se do ar-condicionado, gastando mais e mais energia.

O transporte de massa do Rio é apenas razoável, como tantas vezes este espaço apontou — o histórico destaca o metrô curto, trens deficientes, ônibus alquebrados, etc. Estende-se aos poucos o metrô até a Barra, e aposta-se acertadamente nos BRTs e BRSs. Também se incentiva o uso da bicicleta, o que ainda é acanhado, mas tem tudo para crescer. Com vontade política, um pouco de paciência e estrutura, o Rio pode deixar de ser uma cidade dependente do automóvel e usar majoritariamente o transporte público — o que melhorará a qualidade do ar.

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