Técnico de eletrônica é suspeito de instalar câmeras para Menor P

Acusado também alterava a frequência dos rádios utilizados por traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP)

Por O Dia

Rio - Além de alterar a frequência dos rádios utilizados por traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP), o técnico em eletrônica Egnaldo Araújo Gomes, de 43 anos, também seria o responsável, segundo a polícia, por instalar câmeras de segurança nas favelas, uma espécie de Big Brother, controladas pelo traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P, de 33 anos, no Complexo da Maré, em Bonsucesso. A informação foi dada por policiais da 10ª DP (Botafogo), durante a apresentação do preso, na tarde de ontem.

O acusado vinha sendo investigado há cerca de cinco anos. Além de Menor P, bandidos como Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, de 35, chefão do pó no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, e os traficantes conhecidos como Coelhão e Milgol, do Morro da Serrinha, em Madureira, e do Complexo da Coreia, em Senador Camará, respectivamente, também teriam contratado os serviços de Egnaldo.

Em 2009, a Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) instaurou inquérito para apurar a venda de radiotransmissores criptografados para que traficantes pudessem se comunicar sem serem interceptados pela polícia.

Em julho do ano passado, agentes da 10ª DP já haviam prendido o taxista Leonardo Alves Stroligo e o técnico em eletrônica Danilo Avelino de Oliveira (sócio de Egnaldo). Eles compravam radiotransmissores em São Paulo, na loja de propriedade do empresário Helton Arruda Pereira — também preso, em conjunto com policiais paulistas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Os aparelhos eram adquiridos por valores que variavam de R$ 500 a R$ 800 e, após instalação de software específico, vendidos por preços que iam de R$ 2 mil a R$ 5 mil.

“Toda vez que havia a apreensão de um aparelho desses, Menor P recolhia os outros e mandava que Egnaldo refizesse a programação”, revelou um dos policiais que participaram das investigações. Somente na Maré havia mais de 150 rádios de comunicação, o que representava um lucro de mais de R$ 200 mil para Egnaldo.

Dono de uma lan house na Favela Baixa do Sapateiro, Egnaldo era nascido e criado na Maré. Assim que soube que o local seria alvo de ocupação por equipes integrantes de Forças de Segurança, Egnaldo resolveu vender seu estabelecimento por R$ 15 mil e passou algumas semanas na casa de parentes na Paraíba, no Nordeste brasileiro. Ele havia voltado ao Rio recentemente e estava morando em seu novo endereço, na Estrada do Galeão, na Ilha do Governador, onde foi surpreendido pelos policiais civis.

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