Mãe de Santo entra em greve de fome por pedido de proteção de vida

Depois de sexto ataque a terreiro, que foi incendiado, em Caxias, Mãe Conceição de Lissá faz greve de fome e tenta pressionar estado a encontrar criminosos

Por O Dia

Rio - Com medo de ser morta, a mãe de santo Conceição de Lissá procurou o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, segunda-feira, pedindo ajuda para que a polícia lhe dê proteção de vida. O terreiro da religiosa, em Jardim Vale do Sol, Duque de Caxias, sofreu o sexto ataque violento na madrugada de quinta-feira da semana passada, quando foi incendiado.

Desde então, ela entrou em greve de fome para que o Estado intervenha nas investigações policiais sobre a série de ataques, já que nenhum dos casos anteriores foi solucionado. “Só bebo água de canjica de manhã e, à noite, um pedaço de inhame. Por enquanto não estou me sentindo mal, embora esteja sem acompanhamento médico”, disse a religiosa.

O coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, defensor Francisco Horta Filho, já tomou providências: está enviando ofício à 62ª DP (Imbariê) pedindo cópia dos seis inquéritos, e também solicitará, em nome de Mãe Conceição de Lissá, que a Secretaria de Segurança Pública providencie proteção de vida para ela.

De acordo com a polícia, o caso foi registrado como crime de preconceito religioso e incêndio e está em fase de apuração — testemunhas estão sendo localizadas e ouvidas, e policiais buscam informações que levem à autoria do ataque.

Mãe Conceição mantém o terreiro há 13 anos e mora em outra casa na mesma rua. Os ataques começaram de oito anos para cá.“Já deram tiros para dentro do centro, incendiaram o pavimento inferior e queimaram três veículos na minha porta. Desta vez, o incêndio destruiu completamente o andar de cima, onde estavam todas as minhas roupas de santo e de alguns filhos, louças, móveis e eletrodomésticos. Eu estava expandindo o segundo piso e já tinha gasto mais de R$ 6 mil de material e mão de obra”, lamentou-se.

Mãe Conceição não aponta suspeitos. “Cabe à polícia descobrir quem cometeu esse e os outros ataques”, enfatiza. Mesmo temendo pela própria vida, a religiosa não pretende deixar o local. “Não adiantaria sair daqui. Quem garante que eu não vá sofrer as mesmas barbaridades em outro local? O que precisa acabar é o preconceito religioso”, argumenta a mãe de santo.

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